*Baseado no relato de uma amiga confidente, bêbada e feliz.
Pra mim é orgia, mas ele disse que não. Chama de experiência madura ou sei lá que porra é essa. Começou como brincadeira de cócegas, cochichando sacanagem mas acabou falando sério. Saí pela direita.
Nosso namoro não anda bem nestes meses mas já teve sua glória. Sinto que sua ereção mudou. Antes metia afoito, eu nem aproveitava tanto. Depois passou a ser mais paciente e me deixou à vontade, e, de um tempo pra cá, temos apenas transado uma vez por final de semana. Pra mim é pouco. Os últimos dias que me fez gozar de verdade foram aqueles que antecederam o anal. Toda aquela expectativa que criei o fazia bufar, me pegar com força, me subjugar, coisa que adoro. O anal mesmo, detestei. Fiquei tensa. Lembro que vi algo sobre usar o chuveirinho na revista mas o dia me fugiu o planejamento e realmente tive medo de sujar tudo. Ele gostou. Disse que era apertado, quente, não sei o que lá, e nunca quis de novo. Só bêbado. Acho que os homens querem enfiar no cu apenas para conquistar, como fincar uma bandeira, no mais é só um buraco. Sujo, convenhamos.
A proposta me pareceu absurda pois nunca havia pensado em dividir meu namorado com ninguém, ainda mais com a amiga dele. Só não brigamos porque já a conheço e sei que não faz seu tipo. É gordinha, tem espinhas, estria na bunda branca e meio quadradona. Ele gosta de mignon, como eu, não picanha como ela. O que me argumentou era que gostaria de transar comigo e deixá-la com vontade, contando com minha ajuda pra excitá-la. Achei tentadora a proposta vista por este lado tão sádico e aceitei. Por mais que não desse importância, não saía da minha cabeça a imagem daquela gorda, esparramada no sofá, se masturbando e fazendo cara de tesão. Por outro lado, as tentativas com seu membro mole me faziam sentir a pior.
No dia combinado já havíamos brigado tanto que pensei em desistir. Mas ele parou seu Uno preto antes do horário combinado no portão da minha casa e buzinou. Havia comprado uma calcinha ousada, vermelha, mas lembrando da presença de outra fiquei insegura e acabei optando por uma básica mesmo. Que saco a presença desta vaca!Seria tão bom tê-lo de volta, sem a dança do maxixe. Este não é o homem que eu conheci. Nos levou a um pé sujo perto de sua casa, sem cerimônia. A amiga, que me foi apresentada numa das festas de faculdade, até estava muito bonita, usando todos os artifícios de sedução disponíveis no mercado. Francamente ela errou o tom e a roupa estava demais para o ambiente, mas, a esta altura, quem sou eu?Uma mulher que precisa doar metade do seu homem para tornar sua vida interessante. Bateu uma tristeza, tão evidente quanto a tentativa dele de nos deixar à vontade, por isso fui ao banheiro enquanto repetiam suas histórias de sala de aula que eu já não agüentava ouvir e rir educadamente. Tava lá no espelho a verdade, sublinhada por rugas de expressão que a maquiagem não escondeu. Falava sozinha quando minha - quase - rival entrou. Em silêncio, urinou de portas abertas, de cócoras, evitando o contato com a tábua da privada, me olhando distraída. Ainda se secando com o papel ordinário, cortado em tiras, disparou:
- Ele ta achando que vai comer a gente. Coitado.
Como uma mulher pode compreender tanto a outra?... Era tudo aquilo que eu gostaria de ouvir. O castelo de areia, o harém daquele cafajeste se desmontou. Trocamos confidências e rimos da possibilidade absurda numa cumplicidade que só o espelho e o batom podem explicar. Soube ali que nunca haviam transado e tudo não passou de uns beijos arrependidos.Voltamos triunfantes, de cabelos soltos e penteados, rebolando sem notar e chamando atenção dos rapazes reunidos perto do poste. Não combinamos nada mas invertemos o jogo, seduzindo o pobre diabo, cujo pau se apertava na bermuda estampada por coqueiros e ondas. O instrumento eu conhecia bem, mas, sem que ninguém notasse, o fitei e me excitei no primeiro esbarrão de seu braço, alheio ao meu. Sentia com as rédeas da noite nas mãos. A gorda contribuiu com o clima dando agulhadas e deboches. Não se tocaram em nenhum momento, eu vigiava.
Tomávamos um vinho barato pois não há nada melhor para temperar uma noite vadia. Mas aquela birosca, de garrafas multicoloridas, não foi capaz de saciar nossa sede. Foi ele quem sugeriu o motel. Eu tomei um susto, mas depois ri.
- Vai a merda. Com este pinto pequeno você não agüenta nem comigo.
Disse no susto e achei tão divertido, tendo de apoio a gargalhada da amiga. Mas os homens sempre possuem resposta quando o assunto é putaria. Enfiando a mão nas calças, colocou para fora e balançou aquela verga dura, escura, com veias saltando para fora, e a sacudiu numa banalidade de menino brincando com seu cavalinho. Vendo um homem com o membro na mão não há mulher que fique impune, visto que um silêncio tomou conta do carro, ao cruzar os pingos e a modorra de segunda de madrugada. Reprimi-o sem jeito e depois de algum tempo ele entrou abrupto no estacionamento que eu desconhecia. Parecia um posto de gasolina desativado ou algo assim. Saiu do carro no mesmo instante e disse algo sobre comprar bebida. Havia esquecido momentaneamente a minha nova amiga sentada no banco de trás que me surpreendeu ao cochichar no ouvido um assunto que poderia ter sido dito de outra forma mas que, tenho que confessar, não me daria tanto tesão. Molhei numa vez só minha calcinha mesmo tendo um ataque moral de levantar o corpo. Virei de frente a encará-la e a gorda me tocou os cabelos, sorrindo complacente e, se aproximando de súbito, beijou o canto da minha boca, provocando formigamento na língua que a queria. Toquei-a pensando em afastá-la e só a provoquei mais. Também não tinha forças e minha mão escorreu pela fartura de seus seios, que depois de expostos, arrepiaram-se no ato. Gostaria de ter um pau, que tocasse as coisas como se fosse minhas mãos, só assim teria controle e poderia sair tateando fissuras, mas não, sou uma mulher que, ao ser estimulada, sinto um puta tesão do umbigo ao joelho, ficando impossível determinar onde ela me tocou. Quando percebi já passeava com seus dedos úmidos entre as minhas pernas, numa precisão nunca sentida por mim. Deitei meu corpo acionando um botão do painel que passou a assoprar vento quente em nós. Foda-se. Ela encaixou a cabeça entre minhas pernas, agora completamente aberta e, pacientemente, pressionou sua boca carnuda e suas bochechas macias, enchendo os lábios com meus ralos pêlos pubianos. Ainda lembro de seus olhos e do constrangimento pois eram os mesmos que me buscavam no banheiro, querendo cumplicidade. Gozei quando ele se aproximava, revelando apenas uma silhueta ao longe, com o pesado garrafão de vinho nas mãos. Ele sentiu o cheiro, me viu ajeitar a roupa, ficar vermelha e virar para frente mas, estava tão imóvel, tão paralisada, tão desajeitada com a situação, que não tirei os olhos do retrovisor. O gozo me fazia querer mais. As mãos dela me procurando pelo canto da porta também. Impossível. Tinha sido descoberta, sido vencida, corrompido meus códigos morais. A cabeça latejava enquanto os dois riam e falavam besteira sobre qualquer coisa que passasse pela janela. O homem correndo da chuva, o gato que quase virou asfalto, tudo virou motivo.
Nunca mais aconteceu, óbvio. E o namorado também não resistiu a crise de identidade e talvez até esteja com outra. Estou solteira e evito qualquer intimidade ao me ver sozinha com amigas. Vou morrer sem dizer para nenhuma delas que tenho até hoje tesão naquela gordinha ou em qualquer outra que cruze meu caminho. Bom, pelo menos era segredo, até agora.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
COMPRAS E AFAZERES
Minha inércia e meu desapego material chegaram ao limite. Vim da Europa empolgado com uma sociedade inteira que realmente se importa mais com o “ser” que o “ter”. Além disso, sobrevivi com uma mochila dois meses e posso continuar assim: meia dúzia de roupas e muito menos quinquilharias tecnológicas. Mas foi a moça falante que viu “Ei, sua camisa ta furada”. Era a terceira em uma semana. Comecei a rascunhar a lista de compras e afazeres mas com o pesar que deveria também fazer a lista de dispensas. É assim com o coração da gente e tem que ser com as coisas também. Mas não consigo. Prefiro não ter a ter que abandonar depois.
Sinceramente tenho medo das listas. Todas as vezes que as faço não consigo executá-la. Bastam dois ou três itens concluídos e a sensação de dever – parcialmente – cumprido toma conta. Me perco em possibilidades e transformo equações exatas em barcos que navegam em mares infinitos. Se eu tivesse criado o mundo, ele não completaria o quinto dia e se tivesse criado os mandamentos, não passariam de conselhos rascunhados. Começo sem prestar atenção.
Primeiro meu carro, cansado de guerra, cheio de arranhões e gambiarras elétricas.O que fazer com ele? O Eco-Escort, como o chamo, tem andado manco, furando pneus e dando de lado. Nele habitam um pé de tênis, que tenho a esperança de encontrar seu irmão gêmeo, uma garrafa de vodka, para a festa nunca acabar, e um casaco para dias sem ninguém. O cd, que não funcionava, deu o ar da graça depois da joelhada de uma pequena mas voltou a se calar recentemente. Tento lembrar o nome dela para que possa repetir o golpe.
Vou direto às roupas, mais urgente. Um armário de adolescente me olha com seus bofes pra fora não suportando uma cueca. Tenho que eliminar algo. Ano passado tive a paranóia de ter que tocar com uma camisa nova a cada apresentação. A doidice passou mas me apeguei a elas. Essa do barbudo de óculos, foi a usada para as fotos no estúdio, fica. Essa listrada, deu sorte, fica. Mas a do ferro de passar foi presente, fica também. No entanto só tenho usado outras, lisas, mais agarradinhas ao corpo, aproveitando os dois quilos a menos que mantenho distraído. Melhor recosturar todas então.
Pulo as contas fixas da lista pois estas sei de cabeça, só não as pago sempre por puro masoquismo. Prefiro organizar os planos futuros, inspiradores. Morar sozinho?Um novo possante? Ou a viagem pela América? Mas, calma aí rapaz. Para fazer tudo isso eu não preciso economizar? Desanimo ao olhar o papel que pede minha atenção, implorando com seu espaço em branco um pouco de conteúdo. Mudo o foco. Começo rapidamente uma nova lista com tudo que fiz este ano. Caminho fácil pelo acampamento inédito em ilha grande, pela fantasia inspirada no carnaval e pelos tantos quilômetros em terras estrangeiras. Tive que voltar as montanhas de San Gotardo, lá nos Alpes, para avistar no horizonte o mochileiro curioso que sou e como posso fazer da minha rotina uma nova aventura. Pensando bem, vou deixar a lista pra lá. Muito melhor é encontrá-la dentro de mim.
Sinceramente tenho medo das listas. Todas as vezes que as faço não consigo executá-la. Bastam dois ou três itens concluídos e a sensação de dever – parcialmente – cumprido toma conta. Me perco em possibilidades e transformo equações exatas em barcos que navegam em mares infinitos. Se eu tivesse criado o mundo, ele não completaria o quinto dia e se tivesse criado os mandamentos, não passariam de conselhos rascunhados. Começo sem prestar atenção.
Primeiro meu carro, cansado de guerra, cheio de arranhões e gambiarras elétricas.O que fazer com ele? O Eco-Escort, como o chamo, tem andado manco, furando pneus e dando de lado. Nele habitam um pé de tênis, que tenho a esperança de encontrar seu irmão gêmeo, uma garrafa de vodka, para a festa nunca acabar, e um casaco para dias sem ninguém. O cd, que não funcionava, deu o ar da graça depois da joelhada de uma pequena mas voltou a se calar recentemente. Tento lembrar o nome dela para que possa repetir o golpe.
Vou direto às roupas, mais urgente. Um armário de adolescente me olha com seus bofes pra fora não suportando uma cueca. Tenho que eliminar algo. Ano passado tive a paranóia de ter que tocar com uma camisa nova a cada apresentação. A doidice passou mas me apeguei a elas. Essa do barbudo de óculos, foi a usada para as fotos no estúdio, fica. Essa listrada, deu sorte, fica. Mas a do ferro de passar foi presente, fica também. No entanto só tenho usado outras, lisas, mais agarradinhas ao corpo, aproveitando os dois quilos a menos que mantenho distraído. Melhor recosturar todas então.
Pulo as contas fixas da lista pois estas sei de cabeça, só não as pago sempre por puro masoquismo. Prefiro organizar os planos futuros, inspiradores. Morar sozinho?Um novo possante? Ou a viagem pela América? Mas, calma aí rapaz. Para fazer tudo isso eu não preciso economizar? Desanimo ao olhar o papel que pede minha atenção, implorando com seu espaço em branco um pouco de conteúdo. Mudo o foco. Começo rapidamente uma nova lista com tudo que fiz este ano. Caminho fácil pelo acampamento inédito em ilha grande, pela fantasia inspirada no carnaval e pelos tantos quilômetros em terras estrangeiras. Tive que voltar as montanhas de San Gotardo, lá nos Alpes, para avistar no horizonte o mochileiro curioso que sou e como posso fazer da minha rotina uma nova aventura. Pensando bem, vou deixar a lista pra lá. Muito melhor é encontrá-la dentro de mim.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
IMIGRANTE SENTIMENTAL
Meu dia dos namorados foi solitário e cansativo. Casais insaciáveis arrancaram meu couro e a aparelhagem da banda, me esgotou a paciência com sua microfonia de araponga descontrolada. Diferente de tantos finais de semana, onde gente saudável e disposta troca telefones e marcam planos para o dia seguinte, vi dois carros passando e uma chuvinha fina cobria a luz numa transparência de lingerie. Ligo?Não ligo?Quero?Não quero?Deixa pra lá. Segui minha sina de imigrante sentimental e fui me esconder no interior do Rio e no interior de mim.
Perdoem-me os amigos pois mentirei a todos eles se insistirem em perguntar sobre a viagem. Falarei sobre a beleza das flores, da energia renovada e dos amores de bolso que deixei por lá. Deturparei valores que gastei, quilômetros que andei e até mesmo a temperatura medida do lado de fora da janela. Só não me peçam fotos e nem busquem testemunhas pois ambas não existem. Meu avô dirá que viu um neto comportado, atualizado em sua sede literária e apto a ser o motorista da família. Minhas primas dirão que mataram a saudade do mochileiro, com histórias mornas pra contar e um saco de dormir cruzado no chão da sala. Meu colega de faculdade dirá que encontrou um cara deslocado, se sentindo velho no show com ex-crianças, tentando fazer de sua companhia um motivo extra para se sentir mais feliz.
O que valeu: Paçoca feita em pilão, crocante e bem batida por muitas mãos. Meu pai com bigode pintado a lápis, acompanhado das suas novas crianças e minha afilhada, desajeitada com a bola. Parentes que não são exatamente meus mas emanam sua sinergia para os demais. Dias sem grandes exageros etílicos.
Agora voltando pela rodovia, entediado da paisagem monocromática, tento não fazer um balanço sobre minhas decisões. Estico a perna para o lado antes que meu companheiro da poltrona ao lado do ônibus chegue. Estou sem saco pra mim mesmo. Mas o ipod também se cansou e arriou suas baterias visto que não tenho outra escolha. Sei que me arrependi de não levar a moça a tira-colo, de não dar chances e exclusividade a quem me quer bem. Ficaram sem dono o chapéu de caubói de brinde que ganhei um par, a maçã do amor pela metade, as frases bonitas das canções que cantei pra ninguém e a brisa gelada, que só existe para unir casais. Nestes dias penso: melhor que ser egoísta, fazer planos solitários e tomar rédeas do destino, é ter alguém para ser ainda mais egoísta com você.
“Oi?Qual é o número do seu assento?Poderia tirar a mochila por favor?Tudo bem, você mora aqui ou ta passeando?Gostou da festa?E o show?Você ta com sono?Tá quieto...”
- Você quer mesmo saber?
Perdoem-me os amigos pois mentirei a todos eles se insistirem em perguntar sobre a viagem. Falarei sobre a beleza das flores, da energia renovada e dos amores de bolso que deixei por lá. Deturparei valores que gastei, quilômetros que andei e até mesmo a temperatura medida do lado de fora da janela. Só não me peçam fotos e nem busquem testemunhas pois ambas não existem. Meu avô dirá que viu um neto comportado, atualizado em sua sede literária e apto a ser o motorista da família. Minhas primas dirão que mataram a saudade do mochileiro, com histórias mornas pra contar e um saco de dormir cruzado no chão da sala. Meu colega de faculdade dirá que encontrou um cara deslocado, se sentindo velho no show com ex-crianças, tentando fazer de sua companhia um motivo extra para se sentir mais feliz.
O que valeu: Paçoca feita em pilão, crocante e bem batida por muitas mãos. Meu pai com bigode pintado a lápis, acompanhado das suas novas crianças e minha afilhada, desajeitada com a bola. Parentes que não são exatamente meus mas emanam sua sinergia para os demais. Dias sem grandes exageros etílicos.
Agora voltando pela rodovia, entediado da paisagem monocromática, tento não fazer um balanço sobre minhas decisões. Estico a perna para o lado antes que meu companheiro da poltrona ao lado do ônibus chegue. Estou sem saco pra mim mesmo. Mas o ipod também se cansou e arriou suas baterias visto que não tenho outra escolha. Sei que me arrependi de não levar a moça a tira-colo, de não dar chances e exclusividade a quem me quer bem. Ficaram sem dono o chapéu de caubói de brinde que ganhei um par, a maçã do amor pela metade, as frases bonitas das canções que cantei pra ninguém e a brisa gelada, que só existe para unir casais. Nestes dias penso: melhor que ser egoísta, fazer planos solitários e tomar rédeas do destino, é ter alguém para ser ainda mais egoísta com você.
“Oi?Qual é o número do seu assento?Poderia tirar a mochila por favor?Tudo bem, você mora aqui ou ta passeando?Gostou da festa?E o show?Você ta com sono?Tá quieto...”
- Você quer mesmo saber?
segunda-feira, 25 de maio de 2009
O SOM QUE VEM DE LÁ
Na terra da laranja tu se espreme, se engarrafa o viaduto, ou quando chega a condução.
Bangu é quente pra caralho Santa Cruz é faroeste, Itaguaí eu nunca vi.
Esquina do pecado é uma beleza, alegria do bicheiro travesti e a igreja,
Prefiro ir pro bloco do Sereno, Água fresca, amendoeira, isso é samba de primeira.
Aqui todo dia chega gente, mas no fundo são parentes ou alguém que eu já vi
Festa do desterro tinha briga, santo Antônio tem garrote, procissão e pescaria
Na terra do vulcão é maravilha, a cachoeira e a trilha pra encontrar nova Iguaçu.
Domingo tem churrasco de alguém, mas se não tiver ninguém, todos tão no Grumari.
Uma hora pra chegar até o centro, de frescão é muito bom se não for final do mês
Quem vai ficar na pista leva o skate, half pipe, free style, o D2 já viu qual é
Calçadão e a bandinha massa, de pastel, caldo de cana, to porta do São Brás
Padeiro, pipoqueiro, troco pinto pelo ouro mas o carro da pamonha resolveu parar.
Bangu é quente pra caralho Santa Cruz é faroeste, Itaguaí eu nunca vi.
Esquina do pecado é uma beleza, alegria do bicheiro travesti e a igreja,
Prefiro ir pro bloco do Sereno, Água fresca, amendoeira, isso é samba de primeira.
Aqui todo dia chega gente, mas no fundo são parentes ou alguém que eu já vi
Festa do desterro tinha briga, santo Antônio tem garrote, procissão e pescaria
Na terra do vulcão é maravilha, a cachoeira e a trilha pra encontrar nova Iguaçu.
Domingo tem churrasco de alguém, mas se não tiver ninguém, todos tão no Grumari.
Uma hora pra chegar até o centro, de frescão é muito bom se não for final do mês
Quem vai ficar na pista leva o skate, half pipe, free style, o D2 já viu qual é
Calçadão e a bandinha massa, de pastel, caldo de cana, to porta do São Brás
Padeiro, pipoqueiro, troco pinto pelo ouro mas o carro da pamonha resolveu parar.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
DOMINGO NO SHOPPING
Comprei uma calça azul em Lisboa mas até hoje não sei se gosto dela. Quando recebo um elogio, acho que sim. Quando sou contrariado, acho que não. Mesmo assim fui com ela ao shopping porque havia beijado na boca e estava feliz. Shopping é um lugar muito triste, especialmente aos domingos onde casais sem esperança andam feito elefantes velhos com suas trombas enlaçadas, rumo a qualquer lugar. Reparei nos olhos daqueles moços a cuidar das crias e das suas mulheres gordas que ainda tentam voltar a forma anterior à gravidez. Passeiam arrastando os chinelos, vendo aquilo que não podem ter e construindo sonhos de consumo tão frágeis quanto a promessa de um casamento eterno. Uma das gordas fitou minha calça azul e presumo que tenha, por pura falta de assunto com seu velho diabo, dito algo sobre ela. Fingi que não vi.
Fui a procura do que pudesse preencher as horas vazias do final de semana. A grande pausa modorrenta causada por uma tarde sem jogo do flamengo, nem praia, nem alguém do meu lado despertando sem pressa. Um livro seria bom, ou filme também. Mas o telefone novo tocou no bolso e a moça da flor no cabelo me ligava. Mas não estava feliz comigo. Sob a desculpa qualquer de uma informação que eu teria, vieram cobranças de sentimentos nobres que não tinha para dar. Ela não brigou mas fez pior: baixou a voz e soltou palavras sem valor, numa evidente decepção àquilo que imaginava sobre mim. Não tinha o que dizer nem queria mentir e a menina que prendi uma flor vermelha nos cabelos há tempos atrás se foi no fechar do celular, como numa piscada lenta de criança de castigo.
Havia acabado de perder o que nem cheguei a ter.
Não me lembro se disse que odeio minha calça azul, especialmente quando ela chama atenção para mim quando não quero ser visto. Me senti tão amarrotado e patético que preferi sentar e tomar um chopp, escondido entre colunas da escada rolante. Do meu lado, um daqueles casais, trocavam ofensas e cumplicidade numa profusão delirante. Ele perguntou quem era Mario e tentou arrancar o celular da mão dela. Ela explicou que era do trabalho. Ele perguntou se era melhor que ele na cama. Ela debochou e respondeu que sim. Ele queria mais que sim, queria elogio, queria um pingo de segurança naquele enorme deserto de areia movediça que se tornou sua relação. Bebiam, se ofendiam e me irritavam com seu diálogo de teatro de marionete. Abri minha bolsa de mão e comecei a rever os tickets que trouxe da Europa, tentando encontrar algo novo que prolongasse ainda mais minhas lembranças de momentos recém passados. Encontrei o telefone da portuguesa de bunda grande que dormia na cama de cima em Roma. Encontrei outro que não me lembro de quem era e por último encontrei o dela. A Alemã que se foi em Florença por não gostar de gostar. Me deixou com um beijo sem gosto e um adeus aliviado. Definitivamente não era isto que eu queria neste domingo á tarde. A conta, por favor.
- “Qualquer livro do Pedro Juan Gutierrez”. “Não minha filha, Juan não é com R”. “Antônio Lobo Antunes, tem?”, “Esquece, muito obrigado”. Odeio quando lembro que meu bairro é feito sob medida para gente ignorante. Filme?Só dublado. Livraria?Só uma, e olhe lá. Em contrapartida, torre de chopp e churrasco a quilo tem para todo lado. Mas bem feito pra mim. Quem mandou ir ao shopping?Quem mandou atender o telefone quando não tinha nada a dizer?Quem mandou não cativar alguém para te fazer companhia nos momentos mais sem graças da vida? Os corredores me espremiam com suas vitrines e não tive dúvidas. Disparei com meu carro velho, furando engarrafamento, controlando seu desalinho que sempre o empurra para o lado direito, rumo a qualquer lugar. Praguejava a minha total falta de sorte e só silenciei quando subi o viaduto e vi o céu sorrindo,simples e encantador, misturando as nuvens coalhadas, os montes verdes da Pedra do Rui e os raios de sol, avermelhados no horizonte. Diminui a marcha, a pulsação, a culpa, a vontade de acertar e, aos poucos, fui me encontrando dentro de mim, rindo das urgências que eu mesmo criei. O domingo terminou sossegado, sentado no portão com a minha bonita calça azul.
Fui a procura do que pudesse preencher as horas vazias do final de semana. A grande pausa modorrenta causada por uma tarde sem jogo do flamengo, nem praia, nem alguém do meu lado despertando sem pressa. Um livro seria bom, ou filme também. Mas o telefone novo tocou no bolso e a moça da flor no cabelo me ligava. Mas não estava feliz comigo. Sob a desculpa qualquer de uma informação que eu teria, vieram cobranças de sentimentos nobres que não tinha para dar. Ela não brigou mas fez pior: baixou a voz e soltou palavras sem valor, numa evidente decepção àquilo que imaginava sobre mim. Não tinha o que dizer nem queria mentir e a menina que prendi uma flor vermelha nos cabelos há tempos atrás se foi no fechar do celular, como numa piscada lenta de criança de castigo.
Havia acabado de perder o que nem cheguei a ter.
Não me lembro se disse que odeio minha calça azul, especialmente quando ela chama atenção para mim quando não quero ser visto. Me senti tão amarrotado e patético que preferi sentar e tomar um chopp, escondido entre colunas da escada rolante. Do meu lado, um daqueles casais, trocavam ofensas e cumplicidade numa profusão delirante. Ele perguntou quem era Mario e tentou arrancar o celular da mão dela. Ela explicou que era do trabalho. Ele perguntou se era melhor que ele na cama. Ela debochou e respondeu que sim. Ele queria mais que sim, queria elogio, queria um pingo de segurança naquele enorme deserto de areia movediça que se tornou sua relação. Bebiam, se ofendiam e me irritavam com seu diálogo de teatro de marionete. Abri minha bolsa de mão e comecei a rever os tickets que trouxe da Europa, tentando encontrar algo novo que prolongasse ainda mais minhas lembranças de momentos recém passados. Encontrei o telefone da portuguesa de bunda grande que dormia na cama de cima em Roma. Encontrei outro que não me lembro de quem era e por último encontrei o dela. A Alemã que se foi em Florença por não gostar de gostar. Me deixou com um beijo sem gosto e um adeus aliviado. Definitivamente não era isto que eu queria neste domingo á tarde. A conta, por favor.
- “Qualquer livro do Pedro Juan Gutierrez”. “Não minha filha, Juan não é com R”. “Antônio Lobo Antunes, tem?”, “Esquece, muito obrigado”. Odeio quando lembro que meu bairro é feito sob medida para gente ignorante. Filme?Só dublado. Livraria?Só uma, e olhe lá. Em contrapartida, torre de chopp e churrasco a quilo tem para todo lado. Mas bem feito pra mim. Quem mandou ir ao shopping?Quem mandou atender o telefone quando não tinha nada a dizer?Quem mandou não cativar alguém para te fazer companhia nos momentos mais sem graças da vida? Os corredores me espremiam com suas vitrines e não tive dúvidas. Disparei com meu carro velho, furando engarrafamento, controlando seu desalinho que sempre o empurra para o lado direito, rumo a qualquer lugar. Praguejava a minha total falta de sorte e só silenciei quando subi o viaduto e vi o céu sorrindo,simples e encantador, misturando as nuvens coalhadas, os montes verdes da Pedra do Rui e os raios de sol, avermelhados no horizonte. Diminui a marcha, a pulsação, a culpa, a vontade de acertar e, aos poucos, fui me encontrando dentro de mim, rindo das urgências que eu mesmo criei. O domingo terminou sossegado, sentado no portão com a minha bonita calça azul.
terça-feira, 5 de maio de 2009
REABILITAÇÃO EM RETALHOS
Às vezes acho que percebo demais.
As pessoas cortaram seus cabelos de um jeito diferente e vão agora para uma boate diferente. As ruas estão vazias novamente na segunda mas já me disseram que quarta tem lugar novo para beber. Tentei beber mais e a manhã veio sem consegui. Também não consegui cantar uma música que queria e fiquei rouco no segundo dia. Meu time ganhou e pelo menos este era o mesmo que eu torcia, apesar de ter um atacante novo no gramado. Os amigos estão aparecendo aos poucos. Uns aparecem para saber como foi a viagem, outros só aparecem para contar o que andaram fazendo. Tento fazer um vídeo com as fotos da Europa mas paro para lembrar de como foi e esqueço o vídeo. Amanhã eu faço. Tento organizar os papéis e dar cabo dos vestígios da viagem mas paro para lembrar de como foi e esqueço a organização. Amanhã eu faço. Tento definir uma nova meta para 2010 mas paro para lembrar de como está sendo o ano e esqueço das metas. Amanhã eu faço.
Cantar e transar são dois prazeres que sinto falta. Mas também sinto medo de não saber fazer tão bem quanto imaginava fazer. Estou inseguro comigo mas também satisfeito pelo meu feito. Gozo com a minha própria consciência e durmo em paz. “É muita doideira”; “é muita coragem”; é muito dinheiro”. Ouvi de tudo sobre mochilão. Disse o mesmo sobre gravidez e carro zero. Cada um tem o que merece. Em compensação, se tudo anda solto de um lado, de outro engata-se. Vou trabalhar todos os dias, acordando cedo e me aborrecendo com a rotina imbecil que preciso seguir. Sou o primeiro a chegar e o último a sair. Tenho um mês para a empresa não fechar no vermelho e assim garantir meu emprego que imaginava ser meu. Precisamos de três títulos?Faço treze.
Domingo senti cheiro de bosta e mato. Fui na festa de São Jorge e vi muitos cavalos. Em sua maioria, magros e tristes. Queria comer carne de sol e aipim mas vendo o cavalo magro, desisti. Já bastam as conchas de feijão, os bifes com gordura e a coxinha que repeti sem critério esta semana. Fui surpreendido também por pessoas que não conheço mas que falaram, com olhos atentos, sobre minhas manias loucas enquanto enfrento o público com o microfone na mão. Aliás, conhecer pessoas é algo que tenho feito, não sei se pelo puro vício ou para recuperar o tempo perdido. Lá fora, a cada foto tirada ou cama escolhida, uma pessoa com histórias pra contar aparecia na cabeceira. O iraniano que não explode, a argentina que procura sua família com a foto na mão ou a alemã que se esconde do amor que nunca teve. Todos os dias gente nova, sorrisos inéditos, pedidos inusitados, gente cheia de hipocrisias, de dúvidas, de metas, mentiras e lembranças. Gente como eu. O final de semana foi e deixou uma superlotação na minha memória.
Comprei um presente pra minha mãe que está perdendo a cor e a história. Ela não apareceu para pegar, nem eu fui levar. Comprei outro para minha afilhada, ela não conseguiu montar. Comprei também uma flor para o cabelo da menina que me deu uma foto antes de ir. Pra mim, poucas novidades na mala. Bom mesmo é poder usar roupa velha que ficou nova agora e não as mesmas camisas e calças que esgotaram sua criatividade em combinações. Melhor ainda é me despir da vida que passou e ficar peladão esperando o que ainda virá.
As pessoas cortaram seus cabelos de um jeito diferente e vão agora para uma boate diferente. As ruas estão vazias novamente na segunda mas já me disseram que quarta tem lugar novo para beber. Tentei beber mais e a manhã veio sem consegui. Também não consegui cantar uma música que queria e fiquei rouco no segundo dia. Meu time ganhou e pelo menos este era o mesmo que eu torcia, apesar de ter um atacante novo no gramado. Os amigos estão aparecendo aos poucos. Uns aparecem para saber como foi a viagem, outros só aparecem para contar o que andaram fazendo. Tento fazer um vídeo com as fotos da Europa mas paro para lembrar de como foi e esqueço o vídeo. Amanhã eu faço. Tento organizar os papéis e dar cabo dos vestígios da viagem mas paro para lembrar de como foi e esqueço a organização. Amanhã eu faço. Tento definir uma nova meta para 2010 mas paro para lembrar de como está sendo o ano e esqueço das metas. Amanhã eu faço.
Cantar e transar são dois prazeres que sinto falta. Mas também sinto medo de não saber fazer tão bem quanto imaginava fazer. Estou inseguro comigo mas também satisfeito pelo meu feito. Gozo com a minha própria consciência e durmo em paz. “É muita doideira”; “é muita coragem”; é muito dinheiro”. Ouvi de tudo sobre mochilão. Disse o mesmo sobre gravidez e carro zero. Cada um tem o que merece. Em compensação, se tudo anda solto de um lado, de outro engata-se. Vou trabalhar todos os dias, acordando cedo e me aborrecendo com a rotina imbecil que preciso seguir. Sou o primeiro a chegar e o último a sair. Tenho um mês para a empresa não fechar no vermelho e assim garantir meu emprego que imaginava ser meu. Precisamos de três títulos?Faço treze.
Domingo senti cheiro de bosta e mato. Fui na festa de São Jorge e vi muitos cavalos. Em sua maioria, magros e tristes. Queria comer carne de sol e aipim mas vendo o cavalo magro, desisti. Já bastam as conchas de feijão, os bifes com gordura e a coxinha que repeti sem critério esta semana. Fui surpreendido também por pessoas que não conheço mas que falaram, com olhos atentos, sobre minhas manias loucas enquanto enfrento o público com o microfone na mão. Aliás, conhecer pessoas é algo que tenho feito, não sei se pelo puro vício ou para recuperar o tempo perdido. Lá fora, a cada foto tirada ou cama escolhida, uma pessoa com histórias pra contar aparecia na cabeceira. O iraniano que não explode, a argentina que procura sua família com a foto na mão ou a alemã que se esconde do amor que nunca teve. Todos os dias gente nova, sorrisos inéditos, pedidos inusitados, gente cheia de hipocrisias, de dúvidas, de metas, mentiras e lembranças. Gente como eu. O final de semana foi e deixou uma superlotação na minha memória.
Comprei um presente pra minha mãe que está perdendo a cor e a história. Ela não apareceu para pegar, nem eu fui levar. Comprei outro para minha afilhada, ela não conseguiu montar. Comprei também uma flor para o cabelo da menina que me deu uma foto antes de ir. Pra mim, poucas novidades na mala. Bom mesmo é poder usar roupa velha que ficou nova agora e não as mesmas camisas e calças que esgotaram sua criatividade em combinações. Melhor ainda é me despir da vida que passou e ficar peladão esperando o que ainda virá.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
PÁGINA EM BRANCO
Visitei tantas igrejas e túmulos mas perto de Deus mesmo eu me senti voando de volta para o Rio. Foram 8 horas para tentar ordenar o fuso-horário e as batidas do coração. Vi a primeira estrela nascer e parecia que estava ao meu lado. Lembrei do pequeno príncipe e seu planetinha. Não é a toa que o escritor do livro era piloto de avião. Fiquei horas olhando pra ela, assim como eu fazia quando era adolescente e pedi pra Deus uma confirmação de que eu havia tomado a decisão certa. Uma estrelinha cadente me saudou, riscando céu enquanto uma lágrima sem-vergonha pulava do meu olho. Há quase dois meses atrás eu havia abandonado uma banda com poucos fãs mas com muitos amigos, um emprego com alguns êxitos profissionais e uma família orgulhosa deste feito tão maluco. Agora, volto sem dinheiro, sem emprego, com um mundo em crise e cheio de idéias pra realizar. Na verdade eu só troco de mochila e agora carrego nas costas a responsabilidade de pagar minhas dívidas e tentar uma oportunidade neste mercado cheio de amizades e traições.
Vi meu pai me saudar com um sorriso igual ao do meu avô e junto com ele o agente de viagem que me adiantou as burocracias. Sofri com o calor e com a falta de iluminação das ruas e conforme ia me aproximando de campo grande o coração pulava como se estivesse indo visitar uma cidade nova em qualquer lugar da Europa. Família, beijos, presentes em 15 minutos e logo descobri que a banda estava tocando perto de casa. Em um pulo estava lá. Entrei sem ninguém ver e tive que segurar a onda da emoção com a gritaria das pessoas. Ninguém sabia que eu chegaria naquele momento e para todo lugar que eu olhava eu via sorrisos tão bonitos e cheios de saudade que era impossível pensar em problemas. A banda estava lá, com um mais gordo, outro mais barbudo e um som limpo, agradável, feliz. Acabei a noite andando sozinho pelas ruas do meu bairro com saudosismo e observando as coisas ainda com olhar de turista. Fui ao bar que sempre vou, encontrei aos amigos que sempre encontro e cantei as músicas que sempre canto e aos poucos venho compreendendo o quanto importante eu posso ser para as pessoas, cantando, sorrindo ou apenas tomando um chopp e falando besteira. Foram dois meses andando sozinho e agora todo lugar que vou encontro um mundarel de pessoas queridas cheias de saudade. Por falar em mudanças, ainda não consegui me livrar do vício de andar com a máquina fotográfica no bolso e a carteirinha de moedas de todos os dias assim como não me interesso em nada em ligar meu celular e ver televisão.
No domingo reencontrei as pessoas da banda e, junto com minha família, vivemos uma tarde em comunhão onde Marcelo, guitarrista da banda, abriu seu terraço e São Pedro nos presenteou com uma tarde linda que deixava a relva em volta mais verdinha. Fui convidado a ser padrinho de casamento dele o que selou a minha volta e minhas dúvidas quanto ao meu retorno. Agora, sentado neste computador, vivo um misto dos três tempos, onde o saudosismo, a saudade dos lugares e pessoas, a preocupação com o meu futuro e a minha reabilitação no presente me confundem. Tenho um sono permanente dentro deste pijama que vesti durante o dia todo, sem saber exatamente o que fazer. Sinto saudade dos mapas onde eu marcava a caneta o que queria fazer e minha felicidade estava a poucos quilômetros de mim. Quero encontrar pessoas mas não quero explicar nada, quero trabalhar mas me sinto cansado, quero cortar o cabelo mas gosto dele assim, quero começar logo a escrever alguma coisa nesta página em branco que se tornou minha vida daqui pra frente.
Vi meu pai me saudar com um sorriso igual ao do meu avô e junto com ele o agente de viagem que me adiantou as burocracias. Sofri com o calor e com a falta de iluminação das ruas e conforme ia me aproximando de campo grande o coração pulava como se estivesse indo visitar uma cidade nova em qualquer lugar da Europa. Família, beijos, presentes em 15 minutos e logo descobri que a banda estava tocando perto de casa. Em um pulo estava lá. Entrei sem ninguém ver e tive que segurar a onda da emoção com a gritaria das pessoas. Ninguém sabia que eu chegaria naquele momento e para todo lugar que eu olhava eu via sorrisos tão bonitos e cheios de saudade que era impossível pensar em problemas. A banda estava lá, com um mais gordo, outro mais barbudo e um som limpo, agradável, feliz. Acabei a noite andando sozinho pelas ruas do meu bairro com saudosismo e observando as coisas ainda com olhar de turista. Fui ao bar que sempre vou, encontrei aos amigos que sempre encontro e cantei as músicas que sempre canto e aos poucos venho compreendendo o quanto importante eu posso ser para as pessoas, cantando, sorrindo ou apenas tomando um chopp e falando besteira. Foram dois meses andando sozinho e agora todo lugar que vou encontro um mundarel de pessoas queridas cheias de saudade. Por falar em mudanças, ainda não consegui me livrar do vício de andar com a máquina fotográfica no bolso e a carteirinha de moedas de todos os dias assim como não me interesso em nada em ligar meu celular e ver televisão.
No domingo reencontrei as pessoas da banda e, junto com minha família, vivemos uma tarde em comunhão onde Marcelo, guitarrista da banda, abriu seu terraço e São Pedro nos presenteou com uma tarde linda que deixava a relva em volta mais verdinha. Fui convidado a ser padrinho de casamento dele o que selou a minha volta e minhas dúvidas quanto ao meu retorno. Agora, sentado neste computador, vivo um misto dos três tempos, onde o saudosismo, a saudade dos lugares e pessoas, a preocupação com o meu futuro e a minha reabilitação no presente me confundem. Tenho um sono permanente dentro deste pijama que vesti durante o dia todo, sem saber exatamente o que fazer. Sinto saudade dos mapas onde eu marcava a caneta o que queria fazer e minha felicidade estava a poucos quilômetros de mim. Quero encontrar pessoas mas não quero explicar nada, quero trabalhar mas me sinto cansado, quero cortar o cabelo mas gosto dele assim, quero começar logo a escrever alguma coisa nesta página em branco que se tornou minha vida daqui pra frente.
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