BARCELONA – AS PESSOAS
Barcelona é um lugar onde gente nova não é novidade. Todos os dias as Ramblas são invadidas por grupos enormes de turista. A mudança de gente no hostel também é algo que impressiona. Conheci poucos moradores que nasceram lá, pois em sua maioria, mudaram-se depois. O dia-a-dia da cidade é diferente e parece um pouco com o Rio, sem favela e gente feia. Todos os dias artistas de rua se apresentam por todos os lugares. Muito tradicional são os artistas fantasiados como estátua viva em busca de um troco. Tem macaco, gárgula, fadas, gente sentada no pinico, múmia vampiro, pra todo tipo. São criativos e levam o trabalho a sério, com horário marcado e respeito ao colega ao lado. Estava hospedado tão perto desta via principal que todos os dias os encontrava, muitas vezes conversando em rodinha, o que era muito engraçado.
Fora isso Barcelona inspira a moda. Cada um tem um particularidade pra mostrar. Comprei pra mim um camisa de brechó e um óculos colorido e fiquei todo bobo. Mas queria tanta coisa que a mochila não daria pra trazer. Vi gente de trança, suja, limpa, com gel e sem, enfim, é uma cidade que você pode ousar nas roupas e acessório.
Também é um lugar que aceita bem as diferenças, com negros, indianos e brasileiros pra todo lado.
BARCELONA – OS AMIGOS
ROBERT- Inglês figuraça que veio tentar a vida na cidade. Muito amigo, tagarela e brincalhão. Não era muito fã de banho e já encontrei um pão com queijo embaixo da cueca sobre a cama. Foi essencial para os meus primeiros dias e ensinei pra ela a expressão “GET OUT STAGE”, ou desce do palco, pra uma mulher metida a besta.
JUAN – Argentino que conheci em Segóvia e que se hospedou também no Kabul. Me ensinou tudo que aprendi sobre espanhol até agora. Paciente, leal e bem novinho. Foi meu companheiro em pontos turísticos. Não se dava bem com mapas e era normal andarmos em círculos. Nós três (com Robert) andávamos juntos boa parte do tempo.
BRASILEIRAS – Moravam em Porto mas estavam passeando de férias. A carioca era mais sagaz, tanto que saiu com o inglês, e a outra mais quietinha. Eram conhecidas de um brasileiro meio barro meio tijolo que foi minha companhia na primeira night catalã.
FRANCESES – Eram três mas apenas um era nosso amigo de verdade. Dizíamos que devia ter sido mendigo e agora estava bem de tanta felicidade. Sem tempo ruim. Fala um inglês tão certinho e pausado que até eu entendia o contexto. Pagava bebida, tomava iniciativa e estava sempre dizendo algo como MAKEMAMÁ. Um elogio pra mulherada, imagino eu. Os dois amigos dele diziam que eram muçulmano ou uma porra assim, mas andavam abraçados demais pro meu gosto.
FRANCESA – Aruuuiiii. Era assim que me chamava. Voava de paraglaide em todo lugar do mundo e tinha ido a Barca pra isso também. Dançava salsa e dançamos com o ipod no ouvido no último dia. Era gata e gente boa. Dizem que saiu com o colombiano que mal pude zoar dizendo que um brasileiro, um argentino e um boliviano no mesmo lugar era quadrilha. Me deu o contato pra encontrá-la na França.
MEXICANA – Figuraça. Namorada de uma pessoa importante no México que achou que era importante ela conhecer o mundo e deu uma viagem pra ela de seis meses por aí. Gostava de sair com a gente pra night e dançava e tirava fotos muito engraçadas. Elogiou meu espanhol e sempre muito atenciosa com o grupo.
BARCELONA – O LUGAR
Barcelona não seria nada sem as pessoas que vivem e passam por lá. Gaudi deu uma boa ajuda, colorindo e enchendo de traços incertos prédios, igrejas e parque. A Sagrada Família tem que ser vista sem ter que ouvir repetidas vezes que ta tudo em obra. Óbvio, a obra final termina em 20020. Parque Guell é muito lindinho, trabalhado com pedras, rochas, pedrinhas e azulejo. Um lugar pra namorar, tirar fotos e ver a vista da cidade. O Draco, dragão que eu tanto queria ver é menor do que eu imaginava, mas tem seu encanto também.
As ramblas, que parecem o calçadão de campo grande com muitos artistas e um mercado São Brás que se chama Boqueria. As praias são simpáticas, assim como os gramados que sempre tem um monte de gringo se esticando no sol. A night ficou devendo um pouco também, com atividades tão comuns e mornas como os outros lugares. 7, 8 reais uma cerveja desanima qualquer folião, ainda mais quando vê as dançarinas sob o balcão, com a bundinha triste e pequena.
BARCELONA – EU
Barcelona é um oásis no meio de tantas cidades caóticas e cinzas. Me senti bem pra caralho na cidade. Dormi na praia e no gramado, assisti banda cubana, fui em todos os pontos turísticos e creio ter conhecido bem o espírito da cidade. Tive dificuldade com a língua mas aprendi que vai muito mais da boa vontade alheia. No final, numa mesma roda, eu falava espanhol, inglês e português, do meu jeito, e nos entendíamos e riamos todas as noites. Fiz os gringos brincarem de rolha, sambarem e em troca dancei salsa, aprendi espanhol melhor que imaginava e deixei pra trás a primeira cidade que eu penso um dia voltar.
domingo, 29 de março de 2009
domingo, 22 de março de 2009
EXILADO EM KABUL
Tudo que escrever agora caberá dento de 10 minutos. Este è o tempo que tenho aqui no aalbuergue que se chama Kabul. Tambèm náo tem tomadas e o chuveiro a luz e o diabo a quatro tem tempo pra usar. È um dos melhores albergues do mundo e um dos mais economicos tambèm. A viagem pra Barcelona teve muita expectativa. Assisti antes o filme do Almodòvar pra tirar onda com meus amigos cultos do Brasil. AVISO: O filme è fraco. Porèm depois de uma noite táo morna assitir um fillme em espanhol me despertou muitos sentimentos e fiquei muito feliz com a minha capacidade de entender espanhol. Estou aqui em Barcelona fazem 3 dias e o tempo voa. Barcelona è o Rio de Janeiro que deu certo e as Ramblas, ruas principais parece o calçadáo de campo grande com direito ao mercadáo sáo bràs que aqui se chama Boqueria. No primeiro dia foi um inferno porque nao sabia falar nada direito e nao tinha amigos mas agora por exemplo, vou jogar buraco com 3 brasileiros, uma mexicana, um argentino e um ingles. Divido quarto com gente do mundo inteiro e aqui em volta tem muita gente. Chata ou bonita.
Tenho que ir...doi minutos.....ai ai i
volto a falar do navio rumo a roma...
Tenho que ir...doi minutos.....ai ai i
volto a falar do navio rumo a roma...
terça-feira, 17 de março de 2009
ACHADOS E PERDIDOS
Neste exato momento estou na minha beliche, com quatro franceses a minha volta dormindo, no quarto que eu tanto paquerava na Internet pelas fotos. Já estou em Madrid faz um pouco mais de 24horas e ainda estou aprendendo a me adaptar a nova vida de viajante. De fato, é agora que tudo começa. Gostaria de contar as coisas engraçadas que aconteceram logo de cara mas tenho usado o blog como descarga emocional e não poderia negar a deprê que bateu ontem e hoje. A gripe, somada com a conversa inesperada com minha mãe pela net e o isolamento que uma língua diferente nos impõe me deixou com os pneus arriados. Preciso beber pra esquecer meus problemas como tinha dito. Sabia deste choque e comprei a briga. Agora agüenta, negão.
Para minha sorte este é o hostel que mais tem brasileiros trabalhando. Sulista, paulista e um de inhoaíba. Ele achou normal e eu ri pra caralho. Encontrar neguinho de inhoaíba só podia ser aqui mesmo. A comparação com são Paulo é inevitável. Suja, bagunçada, cheia de ruas iguais e atrações sem graça. Em compensação uma noite pulsante, com gay, putas, punks, roqueiros, clubbers e tudo mais. Por falar nisso hoje é dia de São Patrício, aquele que protege os bebuns, e a galera já começou a se animar. Amanhã é feriado em Madrid e vou me arriscar nestas nights loucas da capital espanhola. Por enquanto durmo cedo, tomo vitamina e tento me recuperar desta porra de coriza que peguei em cascais, lugar lindo por sinal, que voltei a visitar com meu amigo Marcelo e sua namorada. Nos embrenhamos pelas pedras, escorregando em um puta penhasco e fiquei horas no vento, crente que era um lisboeta, só de bermudinha e camisa. Deu no que deu.
Apesar da dor no corpo, amanheci animado, quase sem dormi ontem, feliz e preocupado com a entrada na Espanha. Os caras são super cricris e pedem tudo que é documento. Mesmo assim manda uma cacetada de brasileiros pra casa. Tinha que dar pinta de turista, esta era a dica do meu guia. Fui com a camisa do mengão, calça marrom, afinal turista sempre tem mal gosto e, pra completar, meti um chapéu comprado no china. Tava completa fantasia. Agüentei um aeroporto cheio de gente bonita, com porte e elegância, me encolhendo entre o livro e a cadeira. Desta vez pelo menos dei sorte e fui na janelinha. Vi umas plantações redondas, que se chama rotação de cultura mas parece um gráfico do do Excel e também vi uma coisa linda de longe:neve. Eita porra, vi neve lá longe, cobrindo feito um lençol branco o pico das montanhas. Mas a preocupação era grande e fiquei tentando imaginar o que o fiscal me perguntaria: Por que 2 meses?Cade o dinheiro?Por que você não torce pro Real Madrid?Desci com os documentos na mão, junto com o guia, a mochila de bordo e a água, parecia um sigano. Fui, fui, fui e..caralho, já passei. O vôo é regional e não precisa de controle de imigração. No meu ipod o mano chao cantava “Mano negra, clandestino, nigeriano clandestino..”
Depois de colocar as malas no hostel dei uma volta na cidade. Queria muito ver a puerta de sol, o marco zero da Espanha. Rodei pra caramba e nem acreditei quando guarda me disse o que era. Um largo em obra, com gente pra todo lado, muitas lojas e nada. O urso comendo a frutinha, símbolo da cidade, achei bem depois, no meio daquelas vacas pintadas que todo mundo acha legal e eu acho nada demais. Comecei a implicar com a cidade e sua gente. Tudo que eu via era previsível ou decepcionante. Melhor dormir. Quem disse?Malandrão acostumado a andar naquelas cidadezinhas de Lisboa saí sem mapa e me perdi. Mas não foi pouco não. Lembro me da hora que entrei pela grande via e depois de dar uma enorme volta saí nela novamente. Aqui em Madrid não tem quarteirão. As ruas são diagonais e como tudo é parecido me fudi de vez. Quando a coisa ficou feia fui perguntar a um china que me ignorou completamente. Cheguei no quarto tão cansado e puto que nem falei com ninguém.
Hoje foi diferente. Pra começar que tomei café da manhã e me arrisquei no Buenos dias com dois ou três que não responderam. É foda ser um analfabeto e mudo porque se não houver muita boa vontade do outro lado a conversa não rende. Fui pra rua me sentindo melhor, com o sol ainda se espreguiçando no céu. Com o mapa na mão varri pontos interessantes e mudei um pouquinho minha opinião. A beleza de Madrid está dentro dos lugares, com obras fantásticas nos museus. Fui ao Museu do Prado, onde havia uma exposição sobre deuses gregos em mármore branco. Fui sendo absorvido por tudo que diziam, impressionado com as datas e conservação. Estava tão compenetrado que me peguei cheio de tesão na Afrodite e daí pra frente a coisa ficou feia. Quadros com mulheres de peito de fora, bacanal rolando e realmente a coisa ficou feia. Estando nestes tantos dias sem colocar a máquina pra funcionar eu já to beliscando mármore e azulejo. Vi alguns pintores que gosto, como El Grego e descobri tantos outros que nem sequer conhecia. Mas perdi o quadro “As meninas’ de Velásquez, pois o museu fechou antes. Já havia visto no Rio e nem gosto muito dele, que era pela saco dos reis e se especializou em pintar as personalidades da côrte. O resto foi ladeira acima, virando o mapa até chegar aqui onde estou pra enfrentar um quarto solitário novamente. Opa, “habla español?”Non..”and you, speak english?”Im not...sorry..a francesa linda colocou seu shortinho cinza e adormeceu lendo um livro grosso me deixando aqui, in the dark.
Para minha sorte este é o hostel que mais tem brasileiros trabalhando. Sulista, paulista e um de inhoaíba. Ele achou normal e eu ri pra caralho. Encontrar neguinho de inhoaíba só podia ser aqui mesmo. A comparação com são Paulo é inevitável. Suja, bagunçada, cheia de ruas iguais e atrações sem graça. Em compensação uma noite pulsante, com gay, putas, punks, roqueiros, clubbers e tudo mais. Por falar nisso hoje é dia de São Patrício, aquele que protege os bebuns, e a galera já começou a se animar. Amanhã é feriado em Madrid e vou me arriscar nestas nights loucas da capital espanhola. Por enquanto durmo cedo, tomo vitamina e tento me recuperar desta porra de coriza que peguei em cascais, lugar lindo por sinal, que voltei a visitar com meu amigo Marcelo e sua namorada. Nos embrenhamos pelas pedras, escorregando em um puta penhasco e fiquei horas no vento, crente que era um lisboeta, só de bermudinha e camisa. Deu no que deu.
Apesar da dor no corpo, amanheci animado, quase sem dormi ontem, feliz e preocupado com a entrada na Espanha. Os caras são super cricris e pedem tudo que é documento. Mesmo assim manda uma cacetada de brasileiros pra casa. Tinha que dar pinta de turista, esta era a dica do meu guia. Fui com a camisa do mengão, calça marrom, afinal turista sempre tem mal gosto e, pra completar, meti um chapéu comprado no china. Tava completa fantasia. Agüentei um aeroporto cheio de gente bonita, com porte e elegância, me encolhendo entre o livro e a cadeira. Desta vez pelo menos dei sorte e fui na janelinha. Vi umas plantações redondas, que se chama rotação de cultura mas parece um gráfico do do Excel e também vi uma coisa linda de longe:neve. Eita porra, vi neve lá longe, cobrindo feito um lençol branco o pico das montanhas. Mas a preocupação era grande e fiquei tentando imaginar o que o fiscal me perguntaria: Por que 2 meses?Cade o dinheiro?Por que você não torce pro Real Madrid?Desci com os documentos na mão, junto com o guia, a mochila de bordo e a água, parecia um sigano. Fui, fui, fui e..caralho, já passei. O vôo é regional e não precisa de controle de imigração. No meu ipod o mano chao cantava “Mano negra, clandestino, nigeriano clandestino..”
Depois de colocar as malas no hostel dei uma volta na cidade. Queria muito ver a puerta de sol, o marco zero da Espanha. Rodei pra caramba e nem acreditei quando guarda me disse o que era. Um largo em obra, com gente pra todo lado, muitas lojas e nada. O urso comendo a frutinha, símbolo da cidade, achei bem depois, no meio daquelas vacas pintadas que todo mundo acha legal e eu acho nada demais. Comecei a implicar com a cidade e sua gente. Tudo que eu via era previsível ou decepcionante. Melhor dormir. Quem disse?Malandrão acostumado a andar naquelas cidadezinhas de Lisboa saí sem mapa e me perdi. Mas não foi pouco não. Lembro me da hora que entrei pela grande via e depois de dar uma enorme volta saí nela novamente. Aqui em Madrid não tem quarteirão. As ruas são diagonais e como tudo é parecido me fudi de vez. Quando a coisa ficou feia fui perguntar a um china que me ignorou completamente. Cheguei no quarto tão cansado e puto que nem falei com ninguém.
Hoje foi diferente. Pra começar que tomei café da manhã e me arrisquei no Buenos dias com dois ou três que não responderam. É foda ser um analfabeto e mudo porque se não houver muita boa vontade do outro lado a conversa não rende. Fui pra rua me sentindo melhor, com o sol ainda se espreguiçando no céu. Com o mapa na mão varri pontos interessantes e mudei um pouquinho minha opinião. A beleza de Madrid está dentro dos lugares, com obras fantásticas nos museus. Fui ao Museu do Prado, onde havia uma exposição sobre deuses gregos em mármore branco. Fui sendo absorvido por tudo que diziam, impressionado com as datas e conservação. Estava tão compenetrado que me peguei cheio de tesão na Afrodite e daí pra frente a coisa ficou feia. Quadros com mulheres de peito de fora, bacanal rolando e realmente a coisa ficou feia. Estando nestes tantos dias sem colocar a máquina pra funcionar eu já to beliscando mármore e azulejo. Vi alguns pintores que gosto, como El Grego e descobri tantos outros que nem sequer conhecia. Mas perdi o quadro “As meninas’ de Velásquez, pois o museu fechou antes. Já havia visto no Rio e nem gosto muito dele, que era pela saco dos reis e se especializou em pintar as personalidades da côrte. O resto foi ladeira acima, virando o mapa até chegar aqui onde estou pra enfrentar um quarto solitário novamente. Opa, “habla español?”Non..”and you, speak english?”Im not...sorry..a francesa linda colocou seu shortinho cinza e adormeceu lendo um livro grosso me deixando aqui, in the dark.
domingo, 15 de março de 2009
SENTIMENTOS EM SANTIAGO
Uma cidade avisa pra você a hora que você tem que partir. Foi assim em Porto quando acordei e acertei as contas com o portuga mal humorado da pensão. Com uma informação cheguei até uma estação de autocarro prestes a realizar um sonho. Comi uma francezinha, prato típico da cidade e me mandei. Acordei e olhei na placa uma propaganda “Queres un coche?”. Caralho, pela primeira vez eu estava na Espanha.
Como brasileiro tem em todo lugar encontrei um casal aventureiro simpáticos e bonitos na mesma condução que eu. Tive que dar uma zoada por ele estar com a camisa do grêmio e me arrisquei “Bonita a camisa do Boca Juniors”.Ufa, ainda bem que ele riu.
Chegamos em Santiago de Compostela e fui surpreendido por uma cidadezinha dinâmica, agitada. Porra, sempre imaginei santiago uma espécie de mosteiro a céu aberto onde deveriam ter umas velhas te olhando pela fresta da janela. Nada disso. Parecia o centro de Caxias, muito mais bonito claro, com muitos prédios novos e ruas iluminadas. Fui até a porta do hotel que meus novos amigos sulistas estavam e perguntei sobre albergue ou algo assim. A moça não entendeu nada do meu espanhol que tanto treinei enquanto cagava antes de viajar. O curso de 3 meses do yes deve ter sido de espanhol de algum outro lugar, não este aqui. Bateu uma pane quando a moça disse que não tinhas estas acomodações ali, só foda da cidade. Eu estava 3 dias sem tomar banho, dormindo mal, comendo sardinha e não merecia ficar ao relento. Minha mochila só haviam duas mudas de roupa que já estavam suja e tudo que eu trouxe, inclusive o saco de dormir, estava em Lisboa. Mesmo assim acredito nos santos que me protegem, nas orações que a Graça e minha avó terezinha fazem por mim além da minha tia vânia que deve ter orado também por mim. Enchi o peito de ar e o cú na mão e saí por aquelas ruas do bairro velho, que são bem apertadinhas, pronto a perguntar ou pedir alguém que me desse abrigo. No mesmo ponto onde eu havia chegado encontrei uma placa de hostel. Fui disposto a tudo e fui recebido pelo sorriso mais bonito que vi na europa. Uma senhora, fofa, baixinha, com longos cabelos brancos. Um quarto foda, todo cuidado, televisão, cobertas extras, uma sacada com vista linda para a praça e as torres da catedral além de um banheiro todo cheio de babadinhos e sabonete: 20 euros. Comecei a fazer um video da minha alegria e comecei a chorar. Muito, muito. Não porque estava fedendo, mas porque parecia que eu tinha voltado pra casa, que havia alguém que gostava de mim. Pode parecer muito idiota pra quem lê essa porra agora mas talvez poucos saibam o que é estar do outro lado, com roupa suja, corpo sujo, sem transporte pra voltar, bancando tudo isso com seu próprio peito, sem platéia, sem gente pra me achar um coitadinho. Foi emocionante demais, acredite. Quero fazer um adendo também para dizer que sonho em ter uma casa assim, com varanda e uma praça na frente o que contribuiu para o chororô…
Um sentimento que me permito em toda viagem é sair andando sem mapa e ser surpreendido por alguma coisa. Me sinto um esbravador quando dou de cara com um paredão medieval ou como uma ponte. Foi assim quando cheguei ao lado da catedral e pude admirar toda sua magnitude. Uma frente tão grande que era dificil enquadrar na foto. Toda iluminada, a catedral que recebe tantos peregrinos diariamente tem imponência e deixa muitas que vi no chinelo. Não fiquei ali muito tempo e preferi tomar uma cerveza em algum sítio. Na máquina de colocar músicas, mais relaxado mandei um portunhol agressivo e comecei a ser entendido. Depois descobri que na Galícia, região que me encontro, eles falam assim. Fiz amigos logo de primeira. Conheci duas moças lindas, uma publicitária inclusive além de Alfonso , um figuraça noivo da outra tica. Aprendi a comer pipas, semente de girassol com sal, separei briga do Alfonso, bebi e ri muito com a minha dificuldade de falar. O povo espanhol é muito diferente do português e muito parecido com o brasileiro. Fomos no mesmo dia a 3 bares e terminamos numa boate. Também dirigi o carro, ou coche, da galega , levei gente bebada em casa, fui cantado por uma coroa, me pagaram um monte de coisa, enfim, uma puta noitada que tem tudo a ver com aquela cidade viva, cheia de universitários como Porto e gente espontânea e festeira. Nem preciso dizer que tava tudo tão bem que acordei com a tia da pensão batendo na porta. Disse sim pra ela, vou ficar mais um dia aqui. Infelizmente um desencontro me fez não ver esta galera mais uma vez pois marcamos em um lugar e ninguém chegou no horário. Por isso o dia seguinte foi mais calmo. Tive tempo de visitar o tumulo onde supostamente está o santo que, diz a lenda, foi decapitado pelos romanos e trazido la da casa do cacete até aqui. Também comprei coisinhas, como um emblema para costurar na mochila e um chaveiro. Deitei na frente da catredral, vi museus e mesmo naquela noite de novo aquele aviso que to aprendendo a conhecer cochichou no meu ouvido: tá na hora de voltar. Fiz a bolsa, pedi pra senhora me acordar e me mandei de volta para Lisboa que durou um dia inteiro dando muitas paradas, recordando o que passei e me planejando para uma aventura ainda maior. Daqui a 48 horas estarei na capital espanhola, Madrid.
Hasta La vista, Baby
Obs.: You can take one picture, please seu japa?thanks paulinha…
Praça Galícia, Santiago de Compostela. Espanha
Como brasileiro tem em todo lugar encontrei um casal aventureiro simpáticos e bonitos na mesma condução que eu. Tive que dar uma zoada por ele estar com a camisa do grêmio e me arrisquei “Bonita a camisa do Boca Juniors”.Ufa, ainda bem que ele riu.
Chegamos em Santiago de Compostela e fui surpreendido por uma cidadezinha dinâmica, agitada. Porra, sempre imaginei santiago uma espécie de mosteiro a céu aberto onde deveriam ter umas velhas te olhando pela fresta da janela. Nada disso. Parecia o centro de Caxias, muito mais bonito claro, com muitos prédios novos e ruas iluminadas. Fui até a porta do hotel que meus novos amigos sulistas estavam e perguntei sobre albergue ou algo assim. A moça não entendeu nada do meu espanhol que tanto treinei enquanto cagava antes de viajar. O curso de 3 meses do yes deve ter sido de espanhol de algum outro lugar, não este aqui. Bateu uma pane quando a moça disse que não tinhas estas acomodações ali, só foda da cidade. Eu estava 3 dias sem tomar banho, dormindo mal, comendo sardinha e não merecia ficar ao relento. Minha mochila só haviam duas mudas de roupa que já estavam suja e tudo que eu trouxe, inclusive o saco de dormir, estava em Lisboa. Mesmo assim acredito nos santos que me protegem, nas orações que a Graça e minha avó terezinha fazem por mim além da minha tia vânia que deve ter orado também por mim. Enchi o peito de ar e o cú na mão e saí por aquelas ruas do bairro velho, que são bem apertadinhas, pronto a perguntar ou pedir alguém que me desse abrigo. No mesmo ponto onde eu havia chegado encontrei uma placa de hostel. Fui disposto a tudo e fui recebido pelo sorriso mais bonito que vi na europa. Uma senhora, fofa, baixinha, com longos cabelos brancos. Um quarto foda, todo cuidado, televisão, cobertas extras, uma sacada com vista linda para a praça e as torres da catedral além de um banheiro todo cheio de babadinhos e sabonete: 20 euros. Comecei a fazer um video da minha alegria e comecei a chorar. Muito, muito. Não porque estava fedendo, mas porque parecia que eu tinha voltado pra casa, que havia alguém que gostava de mim. Pode parecer muito idiota pra quem lê essa porra agora mas talvez poucos saibam o que é estar do outro lado, com roupa suja, corpo sujo, sem transporte pra voltar, bancando tudo isso com seu próprio peito, sem platéia, sem gente pra me achar um coitadinho. Foi emocionante demais, acredite. Quero fazer um adendo também para dizer que sonho em ter uma casa assim, com varanda e uma praça na frente o que contribuiu para o chororô…
Um sentimento que me permito em toda viagem é sair andando sem mapa e ser surpreendido por alguma coisa. Me sinto um esbravador quando dou de cara com um paredão medieval ou como uma ponte. Foi assim quando cheguei ao lado da catedral e pude admirar toda sua magnitude. Uma frente tão grande que era dificil enquadrar na foto. Toda iluminada, a catedral que recebe tantos peregrinos diariamente tem imponência e deixa muitas que vi no chinelo. Não fiquei ali muito tempo e preferi tomar uma cerveza em algum sítio. Na máquina de colocar músicas, mais relaxado mandei um portunhol agressivo e comecei a ser entendido. Depois descobri que na Galícia, região que me encontro, eles falam assim. Fiz amigos logo de primeira. Conheci duas moças lindas, uma publicitária inclusive além de Alfonso , um figuraça noivo da outra tica. Aprendi a comer pipas, semente de girassol com sal, separei briga do Alfonso, bebi e ri muito com a minha dificuldade de falar. O povo espanhol é muito diferente do português e muito parecido com o brasileiro. Fomos no mesmo dia a 3 bares e terminamos numa boate. Também dirigi o carro, ou coche, da galega , levei gente bebada em casa, fui cantado por uma coroa, me pagaram um monte de coisa, enfim, uma puta noitada que tem tudo a ver com aquela cidade viva, cheia de universitários como Porto e gente espontânea e festeira. Nem preciso dizer que tava tudo tão bem que acordei com a tia da pensão batendo na porta. Disse sim pra ela, vou ficar mais um dia aqui. Infelizmente um desencontro me fez não ver esta galera mais uma vez pois marcamos em um lugar e ninguém chegou no horário. Por isso o dia seguinte foi mais calmo. Tive tempo de visitar o tumulo onde supostamente está o santo que, diz a lenda, foi decapitado pelos romanos e trazido la da casa do cacete até aqui. Também comprei coisinhas, como um emblema para costurar na mochila e um chaveiro. Deitei na frente da catredral, vi museus e mesmo naquela noite de novo aquele aviso que to aprendendo a conhecer cochichou no meu ouvido: tá na hora de voltar. Fiz a bolsa, pedi pra senhora me acordar e me mandei de volta para Lisboa que durou um dia inteiro dando muitas paradas, recordando o que passei e me planejando para uma aventura ainda maior. Daqui a 48 horas estarei na capital espanhola, Madrid.
Hasta La vista, Baby
Obs.: You can take one picture, please seu japa?thanks paulinha…
Praça Galícia, Santiago de Compostela. Espanha
SEM DINHEIRO E SEM BANHO
Prestes a completar uma semana em Lisboa e já tendo conhecido os principais pontos turísticos da cidade, dei um até logo para o meu amigo e fui para o norte. No dia anterior havia abusado de gastar dinheiro pois além de precisar comprar um novo tênis (aquele outro filho da puta eu dei pro marcelo), almoçado bacalhau na rua e bebido em plena segunda no bar ouvindo fado vadio, também comprei uma parada que nunca tive e precisava aqui: um ipod. O bichinho me custou 139 euros , o que pode significar umas duas cidades ou umas cinco farras. Estava com a cabeça cheia de me cobrar mas precisava ouvir musica nas tantas horas pra lá e pra cá e o meu velho mp4 não resistiu ao vôo e quebrou de vez. O dia piorou quando perdi meu primeiro compromisso e dei adeus ao autocarro de 11h da manhã e com isso chegaria em Porto somente 18h. A viagem foi chata, com paisagem óbvia de mato para um lado e para o outro e um coroa português querendo ser amigo de além, falando pelos cotovelos. O que valeu mesmo foi ver, diante de nossos pés, uma cidade que parecia aquelas miniaturas feitas de caixa de fósforo. Porto brilhava ao sol e nós da janelinha fizemos um óóóóó uníssono.
Desci de frente a torre dos Clérigos que é uma piroca como o obelisco de ipanema com milhares de anos. De frente a ele me indicavam um hostel baratinho afinal havia me prometido que iria compensar os exageros de grana na semana. “Tem este aqui de 20 euros, com casa de banho e vista para a rua”.”Mas não tenho este dinheiro todo moço””Então fica com este aqui por 15 euros.” Um quadradinho, com pia, cama, uma mesinha de cabeceira e uma cadeira. As cobertas velhas eram finas e a única janela tinha o tamanho e um palmo. Larguei tudo lá e saí vadio, sem mapa nem nada pelas ruas, sentindo o sabor de estar perdido em uma cidade que não é sua, cheia de coisas para descobrir. De cara o bondinho antigo quase me atropela e desce as ruas varado. Vou seguindo seus trilhos e as pequenas ruelas da “Invicta” são se mostrando pra mim. Flores nas janelas, roupas também, carros, jovens nas ruas, tudo funcionando em harmonia. Tudo isso até chegar a ribeira, local onde eu tinha uma imagem na cabeça e precisava vê-la. E foi lá, sob a ponte que encontrei aquele cais, com barcos antigos, cheios de barril, casarios coloridos, caves de carvões e tudo que sempre vemos de porto. O sol ia embora e fiz umas fotos meio abestalhado com o lugar. Convicto das economias fui ao mercado e mandei ver no pão, sardinha e vinho e tava tudo relativamente bem quando encontrei o banheiro. Era velho, mal iluminado, sem box, somente a banheira com o chuveirinho. Eita, fica pra amanhã.
Depois de rodar e rodar pela ribeira e constatar que ali já foi point me mandei ladeira acima em direção a universidade, no piolho, mini bairro onde a rapaziada de porto mesmo entorna. Foi lá que conheci os tunas, que são rapazes que usam uma túnica e dão rote nos calouros. Nem precisa dizer que além de tocar com eles, dar trote no calouros também e ainda mandei uma: “Onde que compra uma roupa destas de harry potter?”Só eu ri. Mesmo assim fiz amigos ali e fui pra casa bêbado às 4h da manhã.
Era pra eu ir embora mas não fui. Logo constatei que as pessoas em portugal se tornam mais abertas a diálogo conforme vamos subindo o país. Havia ficado com uma ótima impressão dali principalmente por muitos que encontrei. O pessoal da tuna me ofereceu até abrigo e uma vaga no ensaio com eles. Toquei “Veja bem, meu bem” do Los Hermanos e eles queriam gravar. Por isso o segundo dia tinha tudo para ser fantástico e mesmo acordando às duas estava bem disposto. Subi ladeira pra cacete, vi porto de cima, de lado, de tudo que é jeito e deixei apenas as caves com os vinhos para depois. Havia neste meio tempo conhecido um carioca, que estava a atravessar a passadeira como eu e foi interpelado por mim. Me prometeu um tour pela frança, onde ele estuda. Eu estava indo encontrar mais três estudantes de Londres, paulistas, que também passeavam por ali. E foi com eles que inciei a night, sem tomar banho de novo porque não dava pra encarar aquela porra. Vimos o jogo do Porto contra o atlético de Madrid. Desde cedo os espanhóis enchiam o saco fazendo barulho pela cidade. E eles foram eliminados apesar do empate e joguinho mixuruca. Dali para uma festa do curso de direito lá na puta que pariu. Demos um trote no trem pois não pagamos e ficamos de olho caso viesse algum fiscal, também atravessamos o trilho andando e mijamos na rua, marginalidade total, que acabou com drinks de graça da portuguesa gordinha que sonhava conhecer o Brasil e trabalhava como garçonete na festa. Depois de dormi no táxi com eles, fui descendo até meu hostel com a certeza que o melhor que a vista ou a paisagem do porto, são as pessoas que descobri ali.
Cidade do Porto, Centro. Portugal
Desci de frente a torre dos Clérigos que é uma piroca como o obelisco de ipanema com milhares de anos. De frente a ele me indicavam um hostel baratinho afinal havia me prometido que iria compensar os exageros de grana na semana. “Tem este aqui de 20 euros, com casa de banho e vista para a rua”.”Mas não tenho este dinheiro todo moço””Então fica com este aqui por 15 euros.” Um quadradinho, com pia, cama, uma mesinha de cabeceira e uma cadeira. As cobertas velhas eram finas e a única janela tinha o tamanho e um palmo. Larguei tudo lá e saí vadio, sem mapa nem nada pelas ruas, sentindo o sabor de estar perdido em uma cidade que não é sua, cheia de coisas para descobrir. De cara o bondinho antigo quase me atropela e desce as ruas varado. Vou seguindo seus trilhos e as pequenas ruelas da “Invicta” são se mostrando pra mim. Flores nas janelas, roupas também, carros, jovens nas ruas, tudo funcionando em harmonia. Tudo isso até chegar a ribeira, local onde eu tinha uma imagem na cabeça e precisava vê-la. E foi lá, sob a ponte que encontrei aquele cais, com barcos antigos, cheios de barril, casarios coloridos, caves de carvões e tudo que sempre vemos de porto. O sol ia embora e fiz umas fotos meio abestalhado com o lugar. Convicto das economias fui ao mercado e mandei ver no pão, sardinha e vinho e tava tudo relativamente bem quando encontrei o banheiro. Era velho, mal iluminado, sem box, somente a banheira com o chuveirinho. Eita, fica pra amanhã.
Depois de rodar e rodar pela ribeira e constatar que ali já foi point me mandei ladeira acima em direção a universidade, no piolho, mini bairro onde a rapaziada de porto mesmo entorna. Foi lá que conheci os tunas, que são rapazes que usam uma túnica e dão rote nos calouros. Nem precisa dizer que além de tocar com eles, dar trote no calouros também e ainda mandei uma: “Onde que compra uma roupa destas de harry potter?”Só eu ri. Mesmo assim fiz amigos ali e fui pra casa bêbado às 4h da manhã.
Era pra eu ir embora mas não fui. Logo constatei que as pessoas em portugal se tornam mais abertas a diálogo conforme vamos subindo o país. Havia ficado com uma ótima impressão dali principalmente por muitos que encontrei. O pessoal da tuna me ofereceu até abrigo e uma vaga no ensaio com eles. Toquei “Veja bem, meu bem” do Los Hermanos e eles queriam gravar. Por isso o segundo dia tinha tudo para ser fantástico e mesmo acordando às duas estava bem disposto. Subi ladeira pra cacete, vi porto de cima, de lado, de tudo que é jeito e deixei apenas as caves com os vinhos para depois. Havia neste meio tempo conhecido um carioca, que estava a atravessar a passadeira como eu e foi interpelado por mim. Me prometeu um tour pela frança, onde ele estuda. Eu estava indo encontrar mais três estudantes de Londres, paulistas, que também passeavam por ali. E foi com eles que inciei a night, sem tomar banho de novo porque não dava pra encarar aquela porra. Vimos o jogo do Porto contra o atlético de Madrid. Desde cedo os espanhóis enchiam o saco fazendo barulho pela cidade. E eles foram eliminados apesar do empate e joguinho mixuruca. Dali para uma festa do curso de direito lá na puta que pariu. Demos um trote no trem pois não pagamos e ficamos de olho caso viesse algum fiscal, também atravessamos o trilho andando e mijamos na rua, marginalidade total, que acabou com drinks de graça da portuguesa gordinha que sonhava conhecer o Brasil e trabalhava como garçonete na festa. Depois de dormi no táxi com eles, fui descendo até meu hostel com a certeza que o melhor que a vista ou a paisagem do porto, são as pessoas que descobri ali.
Cidade do Porto, Centro. Portugal
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