Visitei tantas igrejas e túmulos mas perto de Deus mesmo eu me senti voando de volta para o Rio. Foram 8 horas para tentar ordenar o fuso-horário e as batidas do coração. Vi a primeira estrela nascer e parecia que estava ao meu lado. Lembrei do pequeno príncipe e seu planetinha. Não é a toa que o escritor do livro era piloto de avião. Fiquei horas olhando pra ela, assim como eu fazia quando era adolescente e pedi pra Deus uma confirmação de que eu havia tomado a decisão certa. Uma estrelinha cadente me saudou, riscando céu enquanto uma lágrima sem-vergonha pulava do meu olho. Há quase dois meses atrás eu havia abandonado uma banda com poucos fãs mas com muitos amigos, um emprego com alguns êxitos profissionais e uma família orgulhosa deste feito tão maluco. Agora, volto sem dinheiro, sem emprego, com um mundo em crise e cheio de idéias pra realizar. Na verdade eu só troco de mochila e agora carrego nas costas a responsabilidade de pagar minhas dívidas e tentar uma oportunidade neste mercado cheio de amizades e traições.
Vi meu pai me saudar com um sorriso igual ao do meu avô e junto com ele o agente de viagem que me adiantou as burocracias. Sofri com o calor e com a falta de iluminação das ruas e conforme ia me aproximando de campo grande o coração pulava como se estivesse indo visitar uma cidade nova em qualquer lugar da Europa. Família, beijos, presentes em 15 minutos e logo descobri que a banda estava tocando perto de casa. Em um pulo estava lá. Entrei sem ninguém ver e tive que segurar a onda da emoção com a gritaria das pessoas. Ninguém sabia que eu chegaria naquele momento e para todo lugar que eu olhava eu via sorrisos tão bonitos e cheios de saudade que era impossível pensar em problemas. A banda estava lá, com um mais gordo, outro mais barbudo e um som limpo, agradável, feliz. Acabei a noite andando sozinho pelas ruas do meu bairro com saudosismo e observando as coisas ainda com olhar de turista. Fui ao bar que sempre vou, encontrei aos amigos que sempre encontro e cantei as músicas que sempre canto e aos poucos venho compreendendo o quanto importante eu posso ser para as pessoas, cantando, sorrindo ou apenas tomando um chopp e falando besteira. Foram dois meses andando sozinho e agora todo lugar que vou encontro um mundarel de pessoas queridas cheias de saudade. Por falar em mudanças, ainda não consegui me livrar do vício de andar com a máquina fotográfica no bolso e a carteirinha de moedas de todos os dias assim como não me interesso em nada em ligar meu celular e ver televisão.
No domingo reencontrei as pessoas da banda e, junto com minha família, vivemos uma tarde em comunhão onde Marcelo, guitarrista da banda, abriu seu terraço e São Pedro nos presenteou com uma tarde linda que deixava a relva em volta mais verdinha. Fui convidado a ser padrinho de casamento dele o que selou a minha volta e minhas dúvidas quanto ao meu retorno. Agora, sentado neste computador, vivo um misto dos três tempos, onde o saudosismo, a saudade dos lugares e pessoas, a preocupação com o meu futuro e a minha reabilitação no presente me confundem. Tenho um sono permanente dentro deste pijama que vesti durante o dia todo, sem saber exatamente o que fazer. Sinto saudade dos mapas onde eu marcava a caneta o que queria fazer e minha felicidade estava a poucos quilômetros de mim. Quero encontrar pessoas mas não quero explicar nada, quero trabalhar mas me sinto cansado, quero cortar o cabelo mas gosto dele assim, quero começar logo a escrever alguma coisa nesta página em branco que se tornou minha vida daqui pra frente.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
domingo, 19 de abril de 2009
PARQUE DE DIVERSÕES
Suiça, Bruxelas, Amsterdam e Paris. O a roda gigante deu um giro rápido na segunda parcela da viagem. Tantas experiências, tanta gente interessante, que o blog ficou ultrapassado, sumiu na poeira. Fumei um baseado, encontrei amigos, fiz outros, peguei carona, cantei, dormi na mesa de sinuca, perdi vôo, acabou o dinheiro, vi neve, vi a torre eiffel, vi gente doida, mas também me perdi, me arrependi e me diverti. Foram 15 dias frenéticos e agora to aqui, cheio de dor de cotovelo, preparando a alma lentamente pra partir.
Em Lugano, encontrei Roberta e Massud, seu marido. Vi o Lago lindo, comi pratos tipicos, recarreguei as baterias, vi a neve e pisei nela, vi um bambi na rua também. Aprendi sobre o islã com o Massud, que é iraniano e aprendi como mudar de vida, com a Roberta. Foram alguns dias de paz convivendo e repartindo a intimidade com pessoas queridas. Sobrevivi ao frio na boa.
Em Brussle, conheci brasileiros, que me apresentaram a mais brasileiros, que viraram colegas de hostel e depois amigos de verdade. Vi um moinho pela primeira vez, vi córregos como veneza e tomei uma caneca de um litro de Stella Artoir. Fomos pra Bruxelas, dividimos apartamento, roubaram o GPS do carro, fomos a balada, conheci gente pra caramba que inclusive, nos acompanharam pra uma festinha mais reservada. Bruxelas ficou pra trás e seus pontos turísticos sem graça.
Amstersdam estava lotada e linda. Feriado, novos amigos, baseado, bicicleta por todo lado, putas na vitrine e um hotel de quase 100 euros ao dia. O dinheiro se foi e sobrou a mesa de sinuca pra dormir por 15 pilas. Dois Spaces Cakes e dormi feito anjo. Vi um japonës de bigode e o chão parecia batata ruffles. Efeitos da fumaça na cachola.
Paris foi acordar aos pés da torre eiffel. Foi encontrar com gente doida, que dá beijo triplo no metrô mas também conhecer gente amorosa, que dá beijinho e cheirinho a cada esquina. Paris é clássica e linda assim como seu povo. Deixei lá um pouquinho da minha música, tocando no mesmo bairro onde Picasso e Modigliani deixaram sua marca. Ficou uma saudade grande que só não era maior que a expectativa de encontrar com Gustavo em Dublin.
E agora to aqui, vivendo em comunhão com Juliana, Gus e mais um casal que divide apartamente com eles, no qual tornaram-se também amigos de verdade. Adoro estar com eles e sinto uma vontade enorme de ficar. Sinto também que a roda gigante rodou no Brasil. Gente namorando, a banda mandando ver, a família, os amigos, tudo funcionando sem mim. Acho que isso é dor de cotovelo porque a viagem tá no fim e tenho medo de saber o que deixei de ganhar e mais ainda o que perdi. Mas esta é a vida, um parque de diversão cheio de emoções.
Em Lugano, encontrei Roberta e Massud, seu marido. Vi o Lago lindo, comi pratos tipicos, recarreguei as baterias, vi a neve e pisei nela, vi um bambi na rua também. Aprendi sobre o islã com o Massud, que é iraniano e aprendi como mudar de vida, com a Roberta. Foram alguns dias de paz convivendo e repartindo a intimidade com pessoas queridas. Sobrevivi ao frio na boa.
Em Brussle, conheci brasileiros, que me apresentaram a mais brasileiros, que viraram colegas de hostel e depois amigos de verdade. Vi um moinho pela primeira vez, vi córregos como veneza e tomei uma caneca de um litro de Stella Artoir. Fomos pra Bruxelas, dividimos apartamento, roubaram o GPS do carro, fomos a balada, conheci gente pra caramba que inclusive, nos acompanharam pra uma festinha mais reservada. Bruxelas ficou pra trás e seus pontos turísticos sem graça.
Amstersdam estava lotada e linda. Feriado, novos amigos, baseado, bicicleta por todo lado, putas na vitrine e um hotel de quase 100 euros ao dia. O dinheiro se foi e sobrou a mesa de sinuca pra dormir por 15 pilas. Dois Spaces Cakes e dormi feito anjo. Vi um japonës de bigode e o chão parecia batata ruffles. Efeitos da fumaça na cachola.
Paris foi acordar aos pés da torre eiffel. Foi encontrar com gente doida, que dá beijo triplo no metrô mas também conhecer gente amorosa, que dá beijinho e cheirinho a cada esquina. Paris é clássica e linda assim como seu povo. Deixei lá um pouquinho da minha música, tocando no mesmo bairro onde Picasso e Modigliani deixaram sua marca. Ficou uma saudade grande que só não era maior que a expectativa de encontrar com Gustavo em Dublin.
E agora to aqui, vivendo em comunhão com Juliana, Gus e mais um casal que divide apartamente com eles, no qual tornaram-se também amigos de verdade. Adoro estar com eles e sinto uma vontade enorme de ficar. Sinto também que a roda gigante rodou no Brasil. Gente namorando, a banda mandando ver, a família, os amigos, tudo funcionando sem mim. Acho que isso é dor de cotovelo porque a viagem tá no fim e tenho medo de saber o que deixei de ganhar e mais ainda o que perdi. Mas esta é a vida, um parque de diversão cheio de emoções.
terça-feira, 31 de março de 2009
O COLISEU E OS “ALEMÃO”
Sabia que gostava de espanhol mas não imaginava que iria aprender a me comunicar tão rápido. Porém, depois de quase 10 dias queimando a mufa pra aprender a cambiar, empezar, olvidar, e essas coisas complicadas, um espírito prático tomou conta de mim e, por ora, substituí a camaradagem de outros momentos pelo meu ipod. Estava esgotado e queria dedicar minha energia a tanta informação que a Itália me proporciona. Durante todo o dia conversei somente com brasileiro e uma vez ou outra em inglês, para o básico. Por sorte meus companheiros de quarto eram da terrinha e pude bater um bom papo antes de dormir. Eram 10 da manhã e o garoto aqui já estava de pé, com o lanche na mochila e cheio de energia. Tinha ido meio de qualquer jeito e quando vi a pinta do pessoal visitando os monumentos, fiquei até sem jeito. Eita povo charmoso, caceta. Todo mundo, até o cara do açougue, todo sujo, tem seu charme.
Conheci primeiro o Palatino, grande residência onde o imperador morava. Tinha ginásio, jardins, e abaixo o Circo Máximo, onde havia corridas de bigas e hoje só tem capim.
Pude entender pouca coisa ou quase nada porque não encontrei muitas placas. Mas tá bom, fiquei imaginando como era suntuoso e bem feito, com colunas perfeitas esculpidas à partir de uma pedra e estátuas de mármore super delicadas. Putz, a bateria da câmera acabou. Tinha me preparado pra passar o dia na rua e nem pensar em andar os 5km que me separavam do hostel. Só para constar, esta é uma cam nova pois a minha quebrou na viagem. Encontrei uma por 90 euros e espero não ter estourado o cartão da minha mãe. Mas voltando ao assunto, este entretempo me fez perder uma hora e por isso decidir encarar o coliseu. Desta vez aluguei um audioguide, que é aquele telefonezinho que a pessoa fica escutando informações sobre o lugar. O primeiro impacto é assustador, parecido com entrar no maracanã pela arquibancada. A moça que falava no audioguide não estava falando espanhol como eu pedi e sim italiano, mas pra não ter que reivindicar meus direito em inglês com a organização do lugar decidi seguir adiante e tentar entender. Passei um bom tempo lembrando dos jogos de vídeo game e dos filmes que vi. Russel Crowe toda hora aparecia nas minhas lembranças e foi bem legal mesmo. Mas a primeira chuvinha oficial na Europa tinha que aparecer e veio varrendo tudo. Desci como pude, com ipod, audioguide, câmera e cachecol, tudo embolado. Quando a coisa amenizou voltei a ouvir a gravação do aparelhinho e a mulher que antes devia estar falando espanhol agora falava alemão. Caralho, pensei que tivesse entrado água da chuva ou algo parecido. Catuquei o troço mas ela não parava de falar alemão. Tive então que me arriscar com uma bonitinha em inglês, que pacientemente ensinou pro índio aqui como se mudava a linguagem.
Eram 18h e eu não queria sair de lá de dentro. Fiz de tudo e nunca achava que estavam boas as fotos. É um lugar realmente impressionante e tão imponente que chega a ser amendrontador. Acabei enxotado e decidi otimizar o tempo conhecendo coisas 0800, perto dali. Entrei por um beco, outro, outro e já estava quase na praça alguma coisa, que diziam ser bem legal. Parei pra descansar as pernas e experimentei a primeira coisa que realmente me impressionou gastronomicamente falando. Deus me livre e guarde, eu não sei porque italiano é conhecido pela pizza fazendo um sorvete tão gostoso. Nunca na vida, tinha tomado uma coisa assim e ainda tão em conta. Já estava com a máquina na mão pra fotografar a tal praça, que devia parecer com as tantas outras praças que já vi na Espanha, mas não foi bem isso que aconteceu.
Tinham dois cavalos, sendo domados por dois homens fortes e acima deles um outro barbudo que nem ligava para as centenas de pessoas que estavam aos seus pés. A fontanna Di Trevi, surgiu como um oásis, toda branca, iluminada, uma visão celestial, parecia até que eu tinha visto o papai Noel. Como já imaginava fiquei com os olhos cheios d´água, não só pela beleza do lugar, mas por lembrar que a menos de dois anos esta era uma foto que eu via em preto e branco no meu livro e tinha muitas dúvidas se conseguiria chegar aqui. Chorei sim, mas foi só um pouco, porque tinha muita gente e tive que disputar a tapa um lugar pra sair na foto. Uma mocinha simpática que mora em Milão me ajudou e fomos comparsas por dois segundos. Vi que depois de dois dias sem falar em espanhol ele já estava um pouco arranhando o que me preocupa. Esta é a minha língua oficial na Europa. Como disse uma brazuca no coliseu, o português morreu para o mundo. Mas sim, joguei a moedinha, mais de uma, porque esqueci de gravar o momento. Dizem que a moeda garante que a pessoa volte a fonte, no meu caso, posso até levar acompanhante. A volta foi longa pois me perdi e perdi o mapa e acabei encontrando o Phanteon. Sombrio, com portas de ferro gigantes, deu medo. Tirei uma fotos mas volto amanhã com mais calma.
Depois de quase uma semana, entre ressacas no mar e no bar, finalmente fiz contato com a família e sei que tá tudo bem. Minha afilhada cabeçuda ligou meu videogame sozinha, Graça espera uma ligação minha e a banda truque arranha no reggae. Sinto a energia renovada e pronto pra subir mais um pouco no mapa. Florença, Lugano, Veneza...o que será que me espera?
Ah, impossível não agradecer os comentários tão queridos e carinhosos que as pessoas têm deixado pra mim e ainda os emails que recebo.Valeu pela força rapaziada...
Conheci primeiro o Palatino, grande residência onde o imperador morava. Tinha ginásio, jardins, e abaixo o Circo Máximo, onde havia corridas de bigas e hoje só tem capim.
Pude entender pouca coisa ou quase nada porque não encontrei muitas placas. Mas tá bom, fiquei imaginando como era suntuoso e bem feito, com colunas perfeitas esculpidas à partir de uma pedra e estátuas de mármore super delicadas. Putz, a bateria da câmera acabou. Tinha me preparado pra passar o dia na rua e nem pensar em andar os 5km que me separavam do hostel. Só para constar, esta é uma cam nova pois a minha quebrou na viagem. Encontrei uma por 90 euros e espero não ter estourado o cartão da minha mãe. Mas voltando ao assunto, este entretempo me fez perder uma hora e por isso decidir encarar o coliseu. Desta vez aluguei um audioguide, que é aquele telefonezinho que a pessoa fica escutando informações sobre o lugar. O primeiro impacto é assustador, parecido com entrar no maracanã pela arquibancada. A moça que falava no audioguide não estava falando espanhol como eu pedi e sim italiano, mas pra não ter que reivindicar meus direito em inglês com a organização do lugar decidi seguir adiante e tentar entender. Passei um bom tempo lembrando dos jogos de vídeo game e dos filmes que vi. Russel Crowe toda hora aparecia nas minhas lembranças e foi bem legal mesmo. Mas a primeira chuvinha oficial na Europa tinha que aparecer e veio varrendo tudo. Desci como pude, com ipod, audioguide, câmera e cachecol, tudo embolado. Quando a coisa amenizou voltei a ouvir a gravação do aparelhinho e a mulher que antes devia estar falando espanhol agora falava alemão. Caralho, pensei que tivesse entrado água da chuva ou algo parecido. Catuquei o troço mas ela não parava de falar alemão. Tive então que me arriscar com uma bonitinha em inglês, que pacientemente ensinou pro índio aqui como se mudava a linguagem.
Eram 18h e eu não queria sair de lá de dentro. Fiz de tudo e nunca achava que estavam boas as fotos. É um lugar realmente impressionante e tão imponente que chega a ser amendrontador. Acabei enxotado e decidi otimizar o tempo conhecendo coisas 0800, perto dali. Entrei por um beco, outro, outro e já estava quase na praça alguma coisa, que diziam ser bem legal. Parei pra descansar as pernas e experimentei a primeira coisa que realmente me impressionou gastronomicamente falando. Deus me livre e guarde, eu não sei porque italiano é conhecido pela pizza fazendo um sorvete tão gostoso. Nunca na vida, tinha tomado uma coisa assim e ainda tão em conta. Já estava com a máquina na mão pra fotografar a tal praça, que devia parecer com as tantas outras praças que já vi na Espanha, mas não foi bem isso que aconteceu.
Tinham dois cavalos, sendo domados por dois homens fortes e acima deles um outro barbudo que nem ligava para as centenas de pessoas que estavam aos seus pés. A fontanna Di Trevi, surgiu como um oásis, toda branca, iluminada, uma visão celestial, parecia até que eu tinha visto o papai Noel. Como já imaginava fiquei com os olhos cheios d´água, não só pela beleza do lugar, mas por lembrar que a menos de dois anos esta era uma foto que eu via em preto e branco no meu livro e tinha muitas dúvidas se conseguiria chegar aqui. Chorei sim, mas foi só um pouco, porque tinha muita gente e tive que disputar a tapa um lugar pra sair na foto. Uma mocinha simpática que mora em Milão me ajudou e fomos comparsas por dois segundos. Vi que depois de dois dias sem falar em espanhol ele já estava um pouco arranhando o que me preocupa. Esta é a minha língua oficial na Europa. Como disse uma brazuca no coliseu, o português morreu para o mundo. Mas sim, joguei a moedinha, mais de uma, porque esqueci de gravar o momento. Dizem que a moeda garante que a pessoa volte a fonte, no meu caso, posso até levar acompanhante. A volta foi longa pois me perdi e perdi o mapa e acabei encontrando o Phanteon. Sombrio, com portas de ferro gigantes, deu medo. Tirei uma fotos mas volto amanhã com mais calma.
Depois de quase uma semana, entre ressacas no mar e no bar, finalmente fiz contato com a família e sei que tá tudo bem. Minha afilhada cabeçuda ligou meu videogame sozinha, Graça espera uma ligação minha e a banda truque arranha no reggae. Sinto a energia renovada e pronto pra subir mais um pouco no mapa. Florença, Lugano, Veneza...o que será que me espera?
Ah, impossível não agradecer os comentários tão queridos e carinhosos que as pessoas têm deixado pra mim e ainda os emails que recebo.Valeu pela força rapaziada...
domingo, 29 de março de 2009
TORMENTAS
São seis horas e o atrasado aqui tem que sair correndo entre japas e artistas pra chegar no porto. O sol engana muito e como não tenho relógio vivo assim, no susto. Mas o pior foi o que ouvi da mulher no guichê: “O navio só sai às 5h da manhã e pelo visto aqui já venderam sua passagem. Se tiver algum problema você se resolve com a polícia.”Preparado para acampar no saguão, fiz um pequeno espaço onde poderia colocar minha vida em ordem depois de 5 dias frenéticos. Fazia tempo que não escrevia e teria paz. Teria. Uma Argentina (eles me perseguem) me fez companhia, contando toda a sua vida e dividindo comigo aquelas horas frias. No dia anterior havia colocado a roupa pra lavar e esqueci meias e cuecas, por isso tinha pensado em criar o bicho solto mas nunca poderia imaginar o quão sofreria com isso. Pra completar o saguão foi invadido por centena de crianças e adolescentes, chatos em todo lugar do mundo. O caos estava formado.
O navio era lindo, como estes que os pobres de campo grande pagam pra ir até a Bahia e gastam uma fortuna, aqui custou 60 euros. Fiquei melhor que a hermana que preferiu poltronas mais baratas. Um banho digno, uma toalha limpa e ficamos na espera da porra zarpar. Mas era uma zona tão grande que desistimos e fomos dormir. Acordei com tudo chacoalhando, mas não era o barco. Os olhos doíam, a cabeça também e a tontura me fazia andar escorado. Me fiz de desentendido e dormi o quanto pude. Perdi almoço e tudo e nada do mal estar passar. Pra todos eu estava mareado e passei a acreditar nisso.
Foram dois dias torturantes no navio onde eu não tinha mais paciência pra falar espanhol e acabei maltratando a bichinha. Coitada. Nascida em Buenos Aires, ela vive em Sevilla e estava fazendo uma viagem pra encontrar a família dela no sul da Itália pra conseguir o visto. Estava ilegal e estava um pouco sofrida, ainda mais depois de tantas horas sem um banho, com a mesma roupa. Mas foda-se, eu doente do jeito que estava não podia cuidar de outra pessoa. Foi quando as coisas começaram a piorar pois descobrimos que não haveria transporte para Roma. Dormir do caminhão de um Húngaro que fiz amizade ou ir para estação de trem?Eu passei horas em dúvida até mirar aqueles olhos que já havia visto mas não tão de perto. Paula era brasileira e estava se chegando em um italiano com pinta de drogado quando falamos. Tínhamos tanta coisa em comum que a noite ficou pequena. Lenine, profissão, destino das viagens, tudo igual. Queria ficar mais com ela, tanto que pensei em ir para o monte Vesúvio, ou seja lá onde ela fosse. Mas o frio na bunda, na canela sem meia, tonto, com dor de cabeça e uma Argentina a tira-colo me excluiu de qualquer possibilidade e assistir quando o italiano roubou um beijo e ela se foi. Mais uma paixão de bolso pra guardar no coração.
Agora estou na cama do hostel. Tem um casal de brasileiros na minha frente e duas gringas que estão se arrumando pra dormir. Na cama de cima da minha uma portuguesa gostosa foi pra night e eu preferi ficar quietinho. Foram 30 pratas de remédio pro fígado, que não era enjôo do mar porra nenhuma e mais 10 de comida. Vi o coliseu de noite e participei de um evento em favor da água no planeta, onde o Totti, jogador italiano era o padrinho. Aqui em Roma é caótico, com carro furando o sinal, mas também é encantador, com gente mais espontânea e muito mais bonita que na Espanha. Fui encarado por algumas italianas mas sinceramente acredito que esta minha cara de doente não está fazendo nenhum sucesso. Ou será que elas já descobriram que eu não to usando cueca?
O navio era lindo, como estes que os pobres de campo grande pagam pra ir até a Bahia e gastam uma fortuna, aqui custou 60 euros. Fiquei melhor que a hermana que preferiu poltronas mais baratas. Um banho digno, uma toalha limpa e ficamos na espera da porra zarpar. Mas era uma zona tão grande que desistimos e fomos dormir. Acordei com tudo chacoalhando, mas não era o barco. Os olhos doíam, a cabeça também e a tontura me fazia andar escorado. Me fiz de desentendido e dormi o quanto pude. Perdi almoço e tudo e nada do mal estar passar. Pra todos eu estava mareado e passei a acreditar nisso.
Foram dois dias torturantes no navio onde eu não tinha mais paciência pra falar espanhol e acabei maltratando a bichinha. Coitada. Nascida em Buenos Aires, ela vive em Sevilla e estava fazendo uma viagem pra encontrar a família dela no sul da Itália pra conseguir o visto. Estava ilegal e estava um pouco sofrida, ainda mais depois de tantas horas sem um banho, com a mesma roupa. Mas foda-se, eu doente do jeito que estava não podia cuidar de outra pessoa. Foi quando as coisas começaram a piorar pois descobrimos que não haveria transporte para Roma. Dormir do caminhão de um Húngaro que fiz amizade ou ir para estação de trem?Eu passei horas em dúvida até mirar aqueles olhos que já havia visto mas não tão de perto. Paula era brasileira e estava se chegando em um italiano com pinta de drogado quando falamos. Tínhamos tanta coisa em comum que a noite ficou pequena. Lenine, profissão, destino das viagens, tudo igual. Queria ficar mais com ela, tanto que pensei em ir para o monte Vesúvio, ou seja lá onde ela fosse. Mas o frio na bunda, na canela sem meia, tonto, com dor de cabeça e uma Argentina a tira-colo me excluiu de qualquer possibilidade e assistir quando o italiano roubou um beijo e ela se foi. Mais uma paixão de bolso pra guardar no coração.
Agora estou na cama do hostel. Tem um casal de brasileiros na minha frente e duas gringas que estão se arrumando pra dormir. Na cama de cima da minha uma portuguesa gostosa foi pra night e eu preferi ficar quietinho. Foram 30 pratas de remédio pro fígado, que não era enjôo do mar porra nenhuma e mais 10 de comida. Vi o coliseu de noite e participei de um evento em favor da água no planeta, onde o Totti, jogador italiano era o padrinho. Aqui em Roma é caótico, com carro furando o sinal, mas também é encantador, com gente mais espontânea e muito mais bonita que na Espanha. Fui encarado por algumas italianas mas sinceramente acredito que esta minha cara de doente não está fazendo nenhum sucesso. Ou será que elas já descobriram que eu não to usando cueca?
BARCELONA
BARCELONA – AS PESSOAS
Barcelona é um lugar onde gente nova não é novidade. Todos os dias as Ramblas são invadidas por grupos enormes de turista. A mudança de gente no hostel também é algo que impressiona. Conheci poucos moradores que nasceram lá, pois em sua maioria, mudaram-se depois. O dia-a-dia da cidade é diferente e parece um pouco com o Rio, sem favela e gente feia. Todos os dias artistas de rua se apresentam por todos os lugares. Muito tradicional são os artistas fantasiados como estátua viva em busca de um troco. Tem macaco, gárgula, fadas, gente sentada no pinico, múmia vampiro, pra todo tipo. São criativos e levam o trabalho a sério, com horário marcado e respeito ao colega ao lado. Estava hospedado tão perto desta via principal que todos os dias os encontrava, muitas vezes conversando em rodinha, o que era muito engraçado.
Fora isso Barcelona inspira a moda. Cada um tem um particularidade pra mostrar. Comprei pra mim um camisa de brechó e um óculos colorido e fiquei todo bobo. Mas queria tanta coisa que a mochila não daria pra trazer. Vi gente de trança, suja, limpa, com gel e sem, enfim, é uma cidade que você pode ousar nas roupas e acessório.
Também é um lugar que aceita bem as diferenças, com negros, indianos e brasileiros pra todo lado.
BARCELONA – OS AMIGOS
ROBERT- Inglês figuraça que veio tentar a vida na cidade. Muito amigo, tagarela e brincalhão. Não era muito fã de banho e já encontrei um pão com queijo embaixo da cueca sobre a cama. Foi essencial para os meus primeiros dias e ensinei pra ela a expressão “GET OUT STAGE”, ou desce do palco, pra uma mulher metida a besta.
JUAN – Argentino que conheci em Segóvia e que se hospedou também no Kabul. Me ensinou tudo que aprendi sobre espanhol até agora. Paciente, leal e bem novinho. Foi meu companheiro em pontos turísticos. Não se dava bem com mapas e era normal andarmos em círculos. Nós três (com Robert) andávamos juntos boa parte do tempo.
BRASILEIRAS – Moravam em Porto mas estavam passeando de férias. A carioca era mais sagaz, tanto que saiu com o inglês, e a outra mais quietinha. Eram conhecidas de um brasileiro meio barro meio tijolo que foi minha companhia na primeira night catalã.
FRANCESES – Eram três mas apenas um era nosso amigo de verdade. Dizíamos que devia ter sido mendigo e agora estava bem de tanta felicidade. Sem tempo ruim. Fala um inglês tão certinho e pausado que até eu entendia o contexto. Pagava bebida, tomava iniciativa e estava sempre dizendo algo como MAKEMAMÁ. Um elogio pra mulherada, imagino eu. Os dois amigos dele diziam que eram muçulmano ou uma porra assim, mas andavam abraçados demais pro meu gosto.
FRANCESA – Aruuuiiii. Era assim que me chamava. Voava de paraglaide em todo lugar do mundo e tinha ido a Barca pra isso também. Dançava salsa e dançamos com o ipod no ouvido no último dia. Era gata e gente boa. Dizem que saiu com o colombiano que mal pude zoar dizendo que um brasileiro, um argentino e um boliviano no mesmo lugar era quadrilha. Me deu o contato pra encontrá-la na França.
MEXICANA – Figuraça. Namorada de uma pessoa importante no México que achou que era importante ela conhecer o mundo e deu uma viagem pra ela de seis meses por aí. Gostava de sair com a gente pra night e dançava e tirava fotos muito engraçadas. Elogiou meu espanhol e sempre muito atenciosa com o grupo.
BARCELONA – O LUGAR
Barcelona não seria nada sem as pessoas que vivem e passam por lá. Gaudi deu uma boa ajuda, colorindo e enchendo de traços incertos prédios, igrejas e parque. A Sagrada Família tem que ser vista sem ter que ouvir repetidas vezes que ta tudo em obra. Óbvio, a obra final termina em 20020. Parque Guell é muito lindinho, trabalhado com pedras, rochas, pedrinhas e azulejo. Um lugar pra namorar, tirar fotos e ver a vista da cidade. O Draco, dragão que eu tanto queria ver é menor do que eu imaginava, mas tem seu encanto também.
As ramblas, que parecem o calçadão de campo grande com muitos artistas e um mercado São Brás que se chama Boqueria. As praias são simpáticas, assim como os gramados que sempre tem um monte de gringo se esticando no sol. A night ficou devendo um pouco também, com atividades tão comuns e mornas como os outros lugares. 7, 8 reais uma cerveja desanima qualquer folião, ainda mais quando vê as dançarinas sob o balcão, com a bundinha triste e pequena.
BARCELONA – EU
Barcelona é um oásis no meio de tantas cidades caóticas e cinzas. Me senti bem pra caralho na cidade. Dormi na praia e no gramado, assisti banda cubana, fui em todos os pontos turísticos e creio ter conhecido bem o espírito da cidade. Tive dificuldade com a língua mas aprendi que vai muito mais da boa vontade alheia. No final, numa mesma roda, eu falava espanhol, inglês e português, do meu jeito, e nos entendíamos e riamos todas as noites. Fiz os gringos brincarem de rolha, sambarem e em troca dancei salsa, aprendi espanhol melhor que imaginava e deixei pra trás a primeira cidade que eu penso um dia voltar.
Barcelona é um lugar onde gente nova não é novidade. Todos os dias as Ramblas são invadidas por grupos enormes de turista. A mudança de gente no hostel também é algo que impressiona. Conheci poucos moradores que nasceram lá, pois em sua maioria, mudaram-se depois. O dia-a-dia da cidade é diferente e parece um pouco com o Rio, sem favela e gente feia. Todos os dias artistas de rua se apresentam por todos os lugares. Muito tradicional são os artistas fantasiados como estátua viva em busca de um troco. Tem macaco, gárgula, fadas, gente sentada no pinico, múmia vampiro, pra todo tipo. São criativos e levam o trabalho a sério, com horário marcado e respeito ao colega ao lado. Estava hospedado tão perto desta via principal que todos os dias os encontrava, muitas vezes conversando em rodinha, o que era muito engraçado.
Fora isso Barcelona inspira a moda. Cada um tem um particularidade pra mostrar. Comprei pra mim um camisa de brechó e um óculos colorido e fiquei todo bobo. Mas queria tanta coisa que a mochila não daria pra trazer. Vi gente de trança, suja, limpa, com gel e sem, enfim, é uma cidade que você pode ousar nas roupas e acessório.
Também é um lugar que aceita bem as diferenças, com negros, indianos e brasileiros pra todo lado.
BARCELONA – OS AMIGOS
ROBERT- Inglês figuraça que veio tentar a vida na cidade. Muito amigo, tagarela e brincalhão. Não era muito fã de banho e já encontrei um pão com queijo embaixo da cueca sobre a cama. Foi essencial para os meus primeiros dias e ensinei pra ela a expressão “GET OUT STAGE”, ou desce do palco, pra uma mulher metida a besta.
JUAN – Argentino que conheci em Segóvia e que se hospedou também no Kabul. Me ensinou tudo que aprendi sobre espanhol até agora. Paciente, leal e bem novinho. Foi meu companheiro em pontos turísticos. Não se dava bem com mapas e era normal andarmos em círculos. Nós três (com Robert) andávamos juntos boa parte do tempo.
BRASILEIRAS – Moravam em Porto mas estavam passeando de férias. A carioca era mais sagaz, tanto que saiu com o inglês, e a outra mais quietinha. Eram conhecidas de um brasileiro meio barro meio tijolo que foi minha companhia na primeira night catalã.
FRANCESES – Eram três mas apenas um era nosso amigo de verdade. Dizíamos que devia ter sido mendigo e agora estava bem de tanta felicidade. Sem tempo ruim. Fala um inglês tão certinho e pausado que até eu entendia o contexto. Pagava bebida, tomava iniciativa e estava sempre dizendo algo como MAKEMAMÁ. Um elogio pra mulherada, imagino eu. Os dois amigos dele diziam que eram muçulmano ou uma porra assim, mas andavam abraçados demais pro meu gosto.
FRANCESA – Aruuuiiii. Era assim que me chamava. Voava de paraglaide em todo lugar do mundo e tinha ido a Barca pra isso também. Dançava salsa e dançamos com o ipod no ouvido no último dia. Era gata e gente boa. Dizem que saiu com o colombiano que mal pude zoar dizendo que um brasileiro, um argentino e um boliviano no mesmo lugar era quadrilha. Me deu o contato pra encontrá-la na França.
MEXICANA – Figuraça. Namorada de uma pessoa importante no México que achou que era importante ela conhecer o mundo e deu uma viagem pra ela de seis meses por aí. Gostava de sair com a gente pra night e dançava e tirava fotos muito engraçadas. Elogiou meu espanhol e sempre muito atenciosa com o grupo.
BARCELONA – O LUGAR
Barcelona não seria nada sem as pessoas que vivem e passam por lá. Gaudi deu uma boa ajuda, colorindo e enchendo de traços incertos prédios, igrejas e parque. A Sagrada Família tem que ser vista sem ter que ouvir repetidas vezes que ta tudo em obra. Óbvio, a obra final termina em 20020. Parque Guell é muito lindinho, trabalhado com pedras, rochas, pedrinhas e azulejo. Um lugar pra namorar, tirar fotos e ver a vista da cidade. O Draco, dragão que eu tanto queria ver é menor do que eu imaginava, mas tem seu encanto também.
As ramblas, que parecem o calçadão de campo grande com muitos artistas e um mercado São Brás que se chama Boqueria. As praias são simpáticas, assim como os gramados que sempre tem um monte de gringo se esticando no sol. A night ficou devendo um pouco também, com atividades tão comuns e mornas como os outros lugares. 7, 8 reais uma cerveja desanima qualquer folião, ainda mais quando vê as dançarinas sob o balcão, com a bundinha triste e pequena.
BARCELONA – EU
Barcelona é um oásis no meio de tantas cidades caóticas e cinzas. Me senti bem pra caralho na cidade. Dormi na praia e no gramado, assisti banda cubana, fui em todos os pontos turísticos e creio ter conhecido bem o espírito da cidade. Tive dificuldade com a língua mas aprendi que vai muito mais da boa vontade alheia. No final, numa mesma roda, eu falava espanhol, inglês e português, do meu jeito, e nos entendíamos e riamos todas as noites. Fiz os gringos brincarem de rolha, sambarem e em troca dancei salsa, aprendi espanhol melhor que imaginava e deixei pra trás a primeira cidade que eu penso um dia voltar.
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